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DANÇANDO NA BOCA DO VULCÃO

O Brasil está imerso numa chuva de dólar. Na contramão do senso comum, Celso Furtado explicava que ‘não há nada pior na vida de uma Nação do que uma chuva de dinheiro”. A pluviosidade sonante desorganiza a produção local; importações baratas de mercadorias e insumos deslocam demanda e empregos para outras praças; mascara-se a inflação via importados –não raro subsidiados. A farra gera dependência e déficit nas contas externas e, finalmente, arrebenta o país quando o fluxo se inverte e os capitais partem em debandada. O Brasil já passou por essa via crucis algumas vezes. A última delas em 1998/1999 no esgotamento do Plano Real quando, horas depois de conquistar o segundo mandato, FHC implodiu a economia impondo uma máxidesvalorização da ‘moeda forte’ da ordem de 50% e deixou o país na tanga. Diferentes razões explicam a tempestade atual: capitais especulativos inundam o país para gozar as delícias de uma taxa de juros sem paralelo no planeta (mas os consultores das finanças insistem que a purgação se faz aumentando ainda mais a Selic…). Há também o preço do sucesso em regime de mercados abertos numa era de colapso dos mercados abertos. Aos fatos: o Brasil cresceu 7,5% em 2020; tem pela frente 50 bilhões de barris de petróleo garantidos com a regulação soberana do pré-sal; tem autossuficiência em alimentos e energia limpa; tem uma Copa do Mundo, uma Olimpíada e uma lista de obras do PAC para se transformar num dos maiores canteiros de obras do mundo; tem democracia; governo popular e um mercado de massa equivalente a 53% da população e 46% da renda nacional. Resultado: no primeiro bimestre deste ano recebeu em termos líquidos US$ 24,356 bi. É mais do que todo volume internalizado em 2010. O governo tomou medidas paliativas para fechar as comportas: fixou um imposto de 6% (IOF para captações com prazo inferior a um ano –um jeito de penalizar fluxos de curtíssimo prazo; dificultou apostas no cassino cambial do mercado futuro de dólares etc Não resolveu. Quanto mais demonstra desinteresse pelo excesso, mais confiável o país se torna aos olhos dos investidores, mais a enxurrada aumenta. Nesta 2º feira, outra agencia internacional de risco elevou a cotação da economia brasileira… Estamos dançando na boca do vulcão . Por enquanto, jorra dinheiro; amanhã a lava poderá derreter tudo a sua volta. Existe uma saída: adotar a quarentena em vigor no Chile, que impõe uma permanência mínima do dinheiro externo, prevenindo fugas em massa e ingressos especulativos. O governo Dilma não pode tardar na decisão. Como diz Maria da Conceição, ” não é matéria para se discutir pelos jornais. É para fazer”.

Fonte: Carta Maior – 3º feira, 05/04/2011

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