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Não quero ser filho do Bolsonaro

por Leonardo Sakamoto

Criei, anos atrás, o humorado Troféu Frango para premiar bizarrices em geral – quem é leitor deste blog já está acostumado com ele. Hoje, o Frango vai para Jair Bolsonaro:

http://blogdosakamoto.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/01/trofeufrango.swf?nome=Jair%20Bolsonaro

Em um quadro de perguntas e respostas do programa CQC, veiculado na noite desta segunda na TV Bandeirantes, ele compartilhou impressões sobre o mundo. Um filho que fuma maconha merece levar “porrada”. Ser um pai presente e dar boa educação garante que a prole não seja gay.

(Questionado o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, que os filhos eram educados e que não viveram em ambiente de promiscuidade como a cantora Preta Gil, autora da pergunta – ver vídeo abaixo. Particulamente, creio que ele não entendeu a pergunta, porque a resposta foi absurda demais. Mas como, até o momento, não havia nenhuma justificativa sobre o tema no site dele…)

Chamar o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) de figura folclórica seria um elogio desmesurado. É uma vergonha para o país que essa viúva da ditadura militar ainda circule com poder pelo corredores do Congresso, defendendo as barbaridades do período mais tenebroso da história republicana brasileira e rasgando o respeito aos direitos fundamentais. Ou a maior prova que somos uma democracia.

Bolsonaro tinha 19 anos quando Figueiredo deixou o Planalto para cuidar de seus cavalos – é saudosista de um período que não viveu. Ficou 15 anos no Exército e mantém-se no Câmara dos Deputados devido à sua defesa dos direitos trabalhistas dos militares (pela quantidade de rifles que desaparecem dos quartéis no Rio e reaparecem nas mão do tráfico, verifica-se como os salários são realmente baixos). E, com isso, ganha carta branca para falar essas coisas estranhas.

Outro bom exemplo disso aconteceu há alguns anos, quando ele colocou um cartaz na porta de seu gabinete na Câmara dos Deputados com os dizeres “Desaparecidos do Araguaia, quem procura osso é cachorro”, zombando das famílias de vítimas da Gloriosa e dos esforços do governo federal para encontrar as ossadas dos guerrilheiros mortos pela ditadura e enterradas em local que o Exército nega em revelar. Vale lembrar que tanto o PP é filhote da Arena, partido da ditadura.

Outra frase de efeito – “O grande erro foi ter torturado e não matado” – foi dita após seminário no Clube Militar, no Rio de Janeiro, em 2008, contra manifestantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da União Nacional dos Estudantes. Segundo ele, essa teria sido a melhor solução para evitar que, hoje, pessoas perseguidas pela ditadura pedissem indenização ou reclamassem a justa e correta abertura dos arquivos que contam o que aconteceu na época.

(Com isso, o deputado se mostrou menos “humano” que o seu colega de partido Paulo Maluf, que outrora sugeriu aos criminosos “estupre, mas não mate”. Ou que seu outro partidário Celso Russomano, que chegou a defender a redução da idade mínima para trabalho, possibilitando que crianças de 12 anos pegassem no batente.)

É claro que Bolsonaro e alguns militares da reserva (com a ajuda de alguns “estrelados” da ativa) querem que o direito à verdade e à memória permaneça enterrado em cova desconhecida junto com assassinados pela ditadura. E, pelo que parece, que sejam enviados para as mesmas covas, os direitos conquistados a duras penas depois que a ditadura, que ele apoiou, caiu.

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Fonte: Blog do Sakamoto

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