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WIKILEAKS
Como nós somos bonzinhos, eles nos vendem o Super Hornet

C O N F I D E N T I A L SECTION 01 OF 03 BRASILIA 001094

SIPDIS

STATE FOR T, WHA AND PM. OSD FOR USD AT&L

E.O. 12958: DECL: 08/15/2019
TAGS: PREL MASS BR
SUBJECT: BRAZIL FIGHTER COMPETITION: UNDER SECRETARIES, VISIT BUILDS MOMENTUM FOR BOEING

REF: A. BRASILIA 795
¶B. BRASILIA 659
¶C. BRASILIA 34

Classified By: Charge d’Affaires Lisa Kubiske. Reason: 1.4(d)

¶1. (C) Resumo. Ao mesmo tempo em que o assessor de segurança nacional Jones destacou a importância da parceria entre Estados Unidos e Brasil (reported septel), a subsecretária de Estado para Segurança Internacional e Controle de Armas Ellen Tauscher e o subsecretário de Defesa para Aquisições, Tecnologia e Logística Ashton Carter tiveram extensas reuniões de 4 a 6 de agosto com lideranças brasileiras, inclusive os ministro da Defesa e das Relações Exteriores, o assessor presidencial para Assuntos Internacionais e o comandante da Força Aérea, em defesa da proposta dos Estados Unidos para fornecer ao Brasil a próxima geração de aviões caças.

U/S Tauscher entregou uma carta da secretária [de Estado Hillary] Clinton às suas contrapartes brasileiras garantindo o apoio do Departamento de Estado. Como notado em ref e outros telegramas, o Brasil faz tempo está preocupado com a disposição dos Estados Unidos de transferir tecnologia.

A visita das duas autoridades do USG responsáveis por decisões sobre transferência de tecnologia veio numa época oportuna, no momento em que o GOB prepara uma decisão final. Como resultado, o chefe da Força Aérea Saito anunciou que a decisão seria adiada para a metade de setembro, uma data-chave, já que o presidente francês Sarkozy planeja visitar o Brasil em 7 de setembro, quando o conventional wisdom espera uma decisão favorável às aeronaves francesas. Embora a visita dos subsecretários tenha dado impulso em favor dos Super Hornet da Boeing, ainda há considerável apoio político aos franceses, e um grande lobby associado à visita de Sarkozy é esperado. Levar o F18 à linha de chegada vai requerer continuado esforço do USG. O post recomenda tentativas adicionais de contato de alto nível com brasileiros-chave no processo de decisão — inclusive o presidente Lula — e a preparação de uma estratégia de relações públicas para enfrentar possível desinformação no momento em que a decisão se aproximar. FIM DO RESUMO.

¶2. (C) De acordo com contatos brasileiros, a discussão de 9 de julho entre os presidentes Obama e Lula sobre a compra de caças pelo Brasil energizou a proposta dos Estados Unidos. Enquanto o Brasil tinha previamente mostrado ceticismo sobre o apoio dos Estados Unidos à transferência de tecnologia , as garantias do presidente abriram a porta para o USG apresentar sua proposta. Enquanto [James] Jones do NSA [assessor de segurança nacional] ofereceu uma visão ampla da parceria Estados Unidos-Brasil, os subsecretários Tauscher e Carter levaram adiante a tarefa da defender a proposta da Boeing. O papel da U/S Tauscher foi vital já que foi a primeira vez que autoridades brasileiras que tomarão a decisão sobre qual avião comprar ouviram de uma autoridade senior do Departamento de Estado que o USG tinha aprovado a necessária transferência de tecnologia (veja em ref b a discussão sobre as dúvidas do Brasil sobre o Departamento de Estado).

¶3. (C) Em suas reuniões com líderes brasileiros, a mensagem de Tauscher e Carter foi consistente: os Estados Unidos estão interessados em uma parceria com o Brasil. A venda dos caças é apenas um aspecto dela, embora a maior interoperacionalidade resultante da venda dos caças dos Estados Unidos vá fazer avançar a cooperação. Tauscher destacou o ponto de que os Estados Unidos valorizam sua relação com o Brasil, como evidenciado pela natureza sem precedentes de algumas decisões em relação ao Super Hornet, em particular a autorização para integrar armas manufaturadas no Brasil. Como a autoridade responsável pela palavra final sobre controle de exportações, Tauscher disse que futuras decisões relativas ao Brasil receberiam cuidadosa consideração em termos de como ajudar um governo amigável.

Sobre a decisão dos Estados Unidos de negar a retransferência de peças controladas pelo USML do Super Tucano brasileiro para a Venezuela, ela indicou que a decisão tinha sido tomada pelo governo anterior para negar as aeronaves à Venezuela, mas sem considerar os efeitos no Brasil. Ela afirmou que futuras decisões relativas ao Brasil levariam mais em conta os interesses do Brasil e incluiriam consultas com o GOB quando apropriado. Tauscher notou que a segurança nacional e a segurança econômica são inseparáveis e que um acordo entre o Brasil e a Boeing não apenas aumentaria a segurança do Brasil mas resultaria em importantes benefícios econômicos. O Super Hornet, ela disse, é o melhor caça multitarefa no mundo e atende ou excede os requerimentos do Brasil, ao mesmo tempo dando uma base segura para a parceria chave dos Estados Unidos com o Brasil.

¶4. (C) USD/ATL Carter destacou a crescente proximidade das indústrias de defesa dos Estados Unidos e do Brasil. Com as indústrias se tornando mais interdependentes, tais parcerias trazem benefícios adicionais para todos os lados. Notando que a estratégia de defesa do Brasil (ref c) liga modernização da defesa com desenvolvimento nacional, Carter disse que a parceria com os Estados Unidos ajudaria o Brasil a atingir seus objetivos estratégicos. Carter disse aos brasileiros que ele dirigia o comitê que toma as decisões-chave sobre tecnologia. Porque o Brasil é um país amigável, com um setor de aviação bem desenvolvido e um bom histórico de segurança tecnológica, não havia motivo para não aprovar transferências para o Brasil. A Boeing está oferecendo um grande compartilhamento do projeto que criaria uma oportunidade para o Brasil participar do desenvolvimento do F18, criando empregos para a indústria brasileira durante o ciclo de vida das aeronaves. Finalmente, Carter notou que as transferências de tecnologia se tornariam mais fáceis com o passar do tempo e a experiência.

¶5. (C) O ministro da Defesa Jobim disse que informações dadas pela equipe Tauscher/Carter eram importantes e mereciam consideração cuidadosa, ao mesmo tempo repetindo sua visão (see ref a) que a transferência de tecnologia seria chave para a decisão brasileira. Jobim disse a Tauscher privadamente que ele acredita que a Boeing deveria ter first refusal na venda e que ele via os Estados Unidos como principal parceiro do Brasil. Ele também lembrou que uma decisão final seria tomada pelo presidente Lula e que ele não sabia qual será a posição de Lula, um ponto que ele destacou em sua conversa de 7 de agosto com o embaixador Sobel.

¶6. (C) O comandante da Força Aérea Saito chamou as garantias de alto escalão sobre a transferência de tecnologia de “música para meus ouvidos”. Seu objetivo na competição é posicionar a Força Aérea Brasileira (e a indústria de aviação do Brasil) para um “salto tecnológico”. Saito elogiou os esforços do presidente Obama com o presidente Lula para dar garantia de apoio do USG. Ele também deixou claro que o Brasil espera que uma quantidade significativa do trabalho de integrar armas brasileiras no FX2 seria feita no Brasil, uma exigência que vai criar dificuldades práticas para qualquer fabricante.

COMENTÁRIO DA EMBAIXADA: Saito é um ex-piloto e está crescentemente claro que ele vai favorecer o avião mais capaz — o Super Hornet. FIM DO COMENTÁRIO.

¶7. (C) Durante o encontro com o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, U/S Tauscher entregou em mãos uma carta da Secretária garantindo que o Departamento de Estado tinha aprovado todas as transferências de tecnologia necessárias à proposta de venda. Em resposta às preocupações de Amorim sobre o banimento da revenda dos Super Tucanos brasileiros, ela assegurou a ele que não havia banimento, que o governo anterior tinha cometido uma “gafe” ao não considerar os interesses do Brasil quando rejeitou a venda para a Venezuela, e que no futuro tais decisões seriam feitas caso-a-caso, com um olho no significado das vendas para nossa crescente parceria bilateral.

U/S Tauscher também se encontrou com o presidente da Embraer Frederico Currado e o informou sobre a carta da Secretária e o compromisso do USG de atender às demandas brasileiras de transferência de tecnologia. Currado foi claro de que acreditava que a parceria com a Boeing era de interesse da Embraer e teria significativos benefícios de longo prazo para a compania.

O senador brasileiro Heráclito Fortes, um apoiador da proposta da Boeing e segundo na liderança do Senado, também acredita que as garantias do USG sobre transferência de tecnologia serão importantes mas se negou a especular sobre as chances da Boeing na decisão final, notando que havia pouca confiança nos Estados Unidos entre os assessores do presidente Lula

¶8. (SBU) A visita da U/S Tauscher recebeu cobertura fortemente positiva da mídia brasileira. Uma reportagem do Estado de S. Paulo em 6 de agosto destacou a importância da parceria Estados Unidos-Brasil e as garantias de transferência de tecnologia dadas pela Secretária. Estes pontos foram destacados por outros meios, embora a cobertura tenha de alguma forma sido encoberta por notícias sobre as supostas bases dos Estados Unidos na Colômbia. Continua a existir grande interesse da mídia em no texto da carta da Secretária. Ao mesmo tempo, estamos vendo o início do contra-ataque dos competidores da Boeing na imprensa, em duas frentes: primeiro que o Super Hornet, embora altamente capaz, seria muito caro’; segundo que, como o F18 está em operações atualmente, sua tecnologia está “congelada”, não dando ao Brasil a oportunidade de participar do desenvolvimento tecnológico.

COMENTÁRIO:

¶9. (C) A combinação da intervenção do presidente [Obama] com Lula, a carta da Secretária e a visita dos subsecretários Tauscher e Carter criaram um forte impulso em favor do Super Hornet. Como notado pelo MOD Jobim, no entanto, a decisão final será política e será tomada pelo presidente Lula, provavelmente em setembro. Com a prevista visita do lobby de uma equipe sueca e a visita de Sarkozy no início de setembro no horizonte, novos esforços do USG serão necessários para uma conclusão bem sucedida. Post recomenda continuar aproximações de Saito, Jobim e Lula para destacar a mensagem de Tauscher/Carter da importância de nossa parceria e dos benefícios mútuos de uma venda de caças.

Esta mensagem poderia ser reforçada da Casa Branca, quando apropriado. Nós também devemos estar preparados para ver nosso compromisso com a transferência de tecnologia questionado. A Folha de S. Paulo já imprimou um editorial (provavelmente inspirado pelo Ministério das Relações Exteriores) sugerindo que, apesar da carta da Secretária, o Departamento de Estado pode bloquear a transferência de tecnologia. Em 12 de agosto, o Valor Econômico citou o texto da carta da Secretária e seu apoio categórico à transferência. Apesar desse acontecimento, que ajuda, o governo dos Estados Unidos precisa ser capaz de responder às dúvidas sobre a sinceridade da Secretária. Post também vai continuar a informar líderes brasileiros quando apropriado sobre a aprovação do USG à transferência de tecnologia. Líderes da Boeing reforçaram a mensagem em uma visita a Brasília em 12 e 13 de agosto.

¶10. (U) Under Secretaries Tauscher and Carter have cleared this message.

KUBISKE

PS do Viomundo: A lei dos Estados Unidos obriga os lobistas a se declararem oficial e abertamente. Como acredito que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil (not), acho que o senador Heráclito Fortes deve cumprir a lei.

Aqui para ler o que o Mainardi, o Merval e o Itagiba disseram ao gringos

Aqui para saber quem foi o jornalista que garantiu a existência de um acordo Serra-Aécio

Aqui para o festival de balulação explícita de tucanos de alta e baixa plumagem

Aqui sobre como todo mundo falava mal da então candidata Dilma para os americanos

Fonte: Viomundo

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