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Guardian condena o cerco ao WikiLeaks

Cyber attacks: payback time

editorial do jornal britânico Guardian, no redecastorphoto

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Num cyber-ataque identificado como “Operação Dar o Troco” [orig. Operation Payback], um grupo de ativistas online identificados como “Anonymous” atacaram as páginas Internet de empresas que trataram WikiLeaks como se a página cheirasse mal. Visa, MasterCard, Paypal e Amazon tiveram suas páginas, e em alguns casos seus serviços, afetados. Bem-vindos ao mundo do bem em pleno caos. Isso é bom?

Todas essas empresas entenderam que sua associação com WikiLeaks feria a imagem de suas respectivas marcas, reflexo estimulado, em muitos casos, por lépido telefonema do Departamento de Estado dos EUA. Na essência, tentam ganhar dos dois lados: fingindo, no marketing, que são livres pensadores e agentes ativos que promovem o mundo cyber, mas imagem que só lhes interessa enquanto não prejudica gente realmente importante. Na Amazon há completa confusão entre os dois papéis: recusaram-se a continuar a hospedar WikiLeaks, mas continuaram a vender online um eBook dos telegramas vazados.

Os hackertivistas do grupo “Anonymous” podem ser acusados de muitas coisas – de imaturidade ou de se deixarem conduzir por instinto de manada. Mas são o equivalente cyber da resistência não violenta ou da desobediência civil. Sua ação quebra a pasmaceira, mais do que causa dano. Ao desafiar as empresas de cartões de crédito e os portais hospedeiros como o fizeram, fazem lembrar, a esses negócios, que a reputação da marca depende, não de como sejam vistos pelo Departamento de Estado, mas de o quanto sejam capazes de manter a própria independência aos olhos de seus usuários e consumidores.

Nem todos os alvos dos ativistas de internet são os alvos corretos. A página Internet da Procuradoria de Justiça sueca, que no momento tenta a extradição de Julian Assange, fundador de WikiLeaks, acusado de estupro, e a página de Claes Borgström, advogado, em Estocolmo, das duas mulheres que apresentaram as acusações contra Assange, também foram derrubadas. Como nossa entrevista com Mr Borgström deixa bem claro, as duas mulheres vivem hoje um inferno: primeiro por serem vítimas autodeclaradas de assalto sexual e, segundo, por estarem sendo acusadas de envolvimento em alguma espécie de trama da CIA. O direito ao anonimato que protege vítimas desse tipo de crime até a sentença judicial foi quebrado, por blogueiros que já invadiram os currículos e toda a intimidade das duas mulheres. Na Suécia, como em outros países, o ônus da prova cabe à Procuradoria, e o teste, para que se demonstre a verdade acima de qualquer dúvida razoável não é obstáculo fácil de superar. Melhor seria deixar que os sistemas legais sueco e britânico seguissem seu curso até a conclusão.

Em tempos em que o big business e os governos tentam monitorar e controlar tudo, é preciso, mais que nunca antes, que a Internet seja preservada como forma livre e universal de comunicação. O principal crime de que WikiLeaks poderia ser acusado é o crime de ter declarado a verdade à cara do poder. O que está em jogo é nada menos que a liberdade da Internet. Tudo mais é pirotecnia para distrair a atenção da batalha real que se combate hoje.

Todos temos de não perder de vista o verdadeiro alvo.

Fonte: Viomundo

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