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E por falar em Capitalismo, é sempre bom lembrar o livro da Naomi Klein, Doutrina do Choque – A Ascensão do Capitalismo de Desastre [que aqui pode ser lido online: http://www.scribd.com/doc/26380802/A-Doutrina-Do-Choque]

Falta um personagem histórico em Seul

por Saul Leblon, na Carta Maior


A tentativa do governo americano de purgar a crise interna com expansão da liquidez significa transferir os efeitos colaterais do colapso americano para os países em desenvolvimento. A equação paradoxal manipulada pelo FED e a Casa Branca fortalece a economia no núcleo duro do capitalismo ao desvalorizar a moeda de troca elevando a competitividade das suas exportações para gerar crises de superliquidez no resto do mundo. Sobretudo o mundo pobre e em desenvolvimento perde fôlego comercial e capacidade soberana de coodenar sua economia, por conta da invasão de capitais especulativos vazados das burras do Tesouro gringo. A inexistência de um movimento socialista forte no resto do mundo, a exemplo do que havia nos anos 30, e depois da Segunda Guerra, permite que Obama promova ‘esse repasse do ônus’, sem maiores riscos. Durante o governo Roosevelt, iniciado em 1933, deu-se o oposto. Para reverter a crise de 29 foi necessário que o Estado americano assumisse o comando da economia. À revelia dos mercados Roosevelt acionou uma inédita política desenvolvimentista de recorte estatal feita de gigantescas obras públicas, ações sociais e frentes de trabalho. Omitir-se então, e transferir o ajuste aos mercados pela superliquidez, como agora, significaria abrir espaço ao avanço do movimento socialista europeu e do poder sindical dentro dos EUA. A ausência desse personagem histórico explica o impasse no G 20 e a conversa mole de busca de coordenação internacional quando na verdade o que interessa aos EUA é destruir qualquer articulação política que possa se opor aos desígnios do seu ajuste unilateral. O corolário desse teatro foi expresso por Barack Obama nesta 2º feira na Índia. Com escárnio, o democrata, que fica cada dia menor à medida em que a crise se agiganta, disse sobre as ações do FED e do Tesouro: ‘O que é bom para os EUA é bom para o mundo”. O único lugar no mundo que pode dar uma resposta consequente a Obama é a América Latina com seu colar de governos progressistas dotados de uma incipente capacidade de coordenação. Basta isso para avaliar a octanagem conservadora da pregação demotucana e de seu dispositivo midiático contra a integração sulamericana. E é essa gente hoje que vem falar em risco de desindustrialização…

[Leia ‘Desindustrialização, Guerra cambial e Hipocrisia’]

EUA: O CONSUMIDOR NÃO COMPRA, AS EMPRESAS NÃO INVESTEM, OS BANCOS NÃO EMPRESTAM

“…as empresas não financeiras [nos EUA] detêm cerca de US$ 3 trilhões em caixa e só investem em tecnologia poupadora de mão de obra (com benefícios da depreciação acelerada), o que não aumenta o emprego. O sistema bancário tem reservas excedentes da ordem de um US$ 1 trilhão e não os empresta porque ninguém solicita” [Delfim Neto, Valor, 09-11]

Fonte: Carta Maior

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