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Dia “D”: votar em Marina é votar em Serra

por Rodrigo Vianna

Nesse domingo decisivo para o Brasil, devo acompanhar o presidente Lula durante todo dia, na cobertura das eleições pela TV Record.

Isso talvez me impeça de atualizar o blog, o que só deve ser feito no começo da noite; pelo twitter, tentarei dar informações sobre o clima em São Bernardo do Campo, e sobre os bastidores da votação.

Mas antes de dormir algumas horas, pra depois seguir para um longo dia de trabalho, deixo aqui uma reflexão sobre o significado dessa eleição; e sobre o papel decisivo de uma parcela do eleitorado progressista – que hoje está disposta a votar em Marina Silva.

A candidatura de Marina subiu de maneira surpreendente nas últimas semanas. De início, avançou apenas nos setores médios: parece ter sido Marina a principal beneficiária pelo bombardeio promovido pela mídia e pelos tucanos contra Dilma – com denúncias de todo tipo, incluindo os “escândalos” e o tal ”risco para a democracia” de mais uma vitória petista.

No momento seguinte, Marina avançou também nos setores populares. Novamente, parece ter sido ela a principal beneficiária do terrorismo religioso sobre o qual – há 3 semanas – venho falando aqui no blog.

Marina, hoje, agrega eleitores de 3 grandes grupos:

– o eleitorado original, mais concentrado na juventude urbana, que vota no PV pelo apelo das causas ambientais (e é inegável que Marina tem uma trajetória respeitável nessa área);

– setores populares e de classe média, que um dia já votaram no PT, mas que se desiludiram com o partido por razões éticas; seriam eleitores que, grosso modo, poderíamos chamar de progressistas;

– um terceiro grupo é formado por evangélicos que se identificam com a candidata – já que Marina, nessa campanha, fez questão de ressaltar sua identidade religiosa, o que é absolutamente legítimo.

Foi esse último setor que garantiu o avanço de Marina nas derradeiras semanas de campanha. Ou seja, Marina acabou sendo a beneficiária da sórdida campanha conservadora que procura vincular Dilma a “aborto”, “comunismo”, “ateísmo”. Parte do eleitorado popular – apavorado com a campanha movida por certos pastores (e também por padres católicos) – viu em Marina (mulher de aspecto angelical, recatada e conservadora em questões morais) um porto seguro para descarregar o voto, diante das incertezas criadas em torno da figura de Dilma.

Será que aquele segundo núcleo de eleitores – que apóia Marina Silva por considerar necessário construir uma alternativa progressista, avançada e ética à polarização PT/PSDB – tem noção concreta do que significa o voto em Marina a essa altura?

Não é possível ter ilusões: votar em Marina no primeiro turno é votar em Serra. É servir aos interesses dos setores mais conservadores desse país. É dar a Serra a chance de estar num segundo turno.

Não é à toa que ontem, véspera da eleição, o presidente do PV já anunciava que num segundo turno o partido estaria com Serra. As urnas nem foram abertas e o aceno já foi dado. Ninguém tem dúvidas que o caminho seria esse mesmo.

Ah, mas num eventual segundo turno é possível votar em Dilma e impedir a volta do tucanato – devem pensar os eleitores mais progressistas de Marina. Claro, isso é possível.

Acontece que, num eventual segundo turno, a máquina de escândalos e calúnias consevadora vai voltar a operar com toda força, e com todo apoio do aparato midiático.

Teremos um mês de conflagração. O que há de mais atrasado nesse país fará o impensável para voltar ao poder.

A decisão sobre a vitória de Dilma no primeiro turno (que significa a vitória de um projeto de centro-esquerda, com todos seu acertos e erros ao longo dos últimos anos) vai-se dar por estreita margem – como venho prevendo há algumas semanas.

O Brasil tem a chance concreta de liquidar a fatura nesse domingo. E esse eleitorado progressista de Marina pode fazer toda a diferença.

Fonte: O Escrevinhador

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