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A ciência está a salvo na eleição brasileira

É improvável que o próximo chefe de Estado modifique o status quo do investimento em pesquisa no país. Depois de quase uma década de apoio sólido do presidente Lula à ciência, sua provável sucessora, Dilma Rousseff, gera altas expectativas. Durante seus 7 anos como presidente, Lula elevou o status da ciência no Brasil através de um aumento constante nos fundos para pesquisa em relação ao PIB, que também também cresceu de maneira impressionante. O artigo é de Anna Petherick, da revista Nature.

Como muitos outros brasileiros, os cientistas do país esperam que as eleições de 3 de outubro tragam tão poucas mudanças quanto seja possível. Depois de quase uma década de apoio sólido do presidente Lula à ciência, sua provável sucessora, Dilma Rousseff, gera altas expectativas.

A educação formal de Lula pode ser precária, mas durante seus 7 anos como presidente ele elevou o status da ciência no Brasil através de um aumento constante nos fundos para pesquisa em relação ao PIB, que também também cresceu de maneira impressionante. Ele também aumentou o perfil científico do Brasil, ao publicar vários artigos vinculados às iniciativas do desenvolvimento científico do seu governo, incluindo um na revista Scientific American, em 2008; e seu ministro de Ciência [e Tecnologia] por cinco anos, Sergio Rezende, publicou pesquisas sobre a teoria das ondas de spin na Physical Review Letters durante sua gestão no ministério.

“O governo Lula trouxe um aumento muito grande no financiamento e fez um trabalho muito importante em termos do estabelecimento de uma agenda política”, disse Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de pesquisas biomédicas, no Rio de Janeiro. “Pela primeira juntamos áreas tradicionais relacionadas à política industrial com o financiamento científico, saúde a agricultura”.

Não se tem só boas notícias, no entanto. A ex-ministra do meio ambiente de Lula, Marina Silva – que hoje é candidata rival de Rousseff – se afastou em 2008 porque achou que o governo não estava fazendo o suficiente para proteger a Amazônia. A despeito das suas preocupações, as imagens de satélite de 2009 mostraram que o desmatamento recuou em 7,464 quilômetros quadrados, um recorde. Outra queda expressiva é esperada quando os números de 2010 forem publicados.

Dilma Rousseff, a candidata de centro-esquerda do Partido dos Trabalhadores, ocupa uma posição sólida, como candidata ungida por Lula na eleição. Desde agosto, quase 50% dos brasileiros entrevistados disseram que pretendem votar nela para presidente. O candidato precisa de 50% mais um voto para vencer no primeiro turno e seu rival mais próximo, José Serra, da oposição de centro-direita da social-democracia brasileira, está chegando em 28% e Silva está em terceiro lugar.

Há uma expectativa de que Dilma dê prosseguimento às políticas de Lula. Ainda assim não seria necessariamente ruim para a ciência se Serra vencesse. A avaliação dos benefícios econômicos da inovação no longo prazo atravessa as fronteiras partidárias, disse Eduardo Viotti da Universidade Columbia, em Nova York, que dá consultoria ao Senado brasileiro em ciência política. Serra foi um ministro da saúde popular durante a presidência do predecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso, quando muitas das leis que sustentaram o aumento do investimento de Lula na ciência foram aprovadas.

Se Rousseff chegar ao poder, ela pode fazer ainda mais pela ciência brasileira do que Lula fez. Muito se fala do quanto lhe falta carisma, ainda que conte com uma longa carreira em sua história, como administradora diligente e eficiente. “Ela provavelmente poderá ir mais além em termos de algumas discussões que estão em curso, no momento, como por exemplo a integração entre as políticas de ciência e tecnologia e de saúde”, observou Viotti. Esse tipo de integração cuidadosa, é claro, depende do nome do seu ministro da Ciência [e Tecnologia], que será provavelmente um dos últimos a ser nomeado para o próximo governo.

A escolha de Rousseff do ministro da Fazenda também será um ponto chave. Luciano Coutinho, o mais cotado para o posto, é atualmente presidente do Banco de Nacional de Desenvolvimento, BNDES, baseado no Rio de Janeiro. Ao menos no papel Coutinho parece o ministro de finanças dos sonhos da comunidade científica. Um ex-secretário executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, Coutinho também é professor na Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo e um especialista em economia da inovação. Ele disse que, como ministro das finanças, iria cortar o déficit brasileiro e baixar as taxas de juros – um passo que pode atrair investimentos em pesquisa e desenvolvimento corporativo, no Brasil.

Os cientistas brasileiros fizeram pressão sobre os políticos de uma maneira coordenada e pouco usual neste ano. A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência fizeram circular uma carta a todos os candidatos à presidência da República, pedindo-lhes que prestem mais atenção à educação nas ciências fundamentais e em matemática.

Além disso, um comitê nomeado por Rezende e liderado pelo físico Luiz Davidovich da Universidade Federal do Rio de Janeiro está finalizando um guia para a próxima gestão do ministério. Nele há recomendações feitas por cientistas em níveis regional e nacional, por meio de conferências, como a necessidade de que o país aumente a ênfase na formação científica que permita ao Brasil tirar vantagens de sua nova descoberta de riqueza em petróleo, na costa de São Paulo e Rio de Janeiro, em 2007, e a preservação da Amazônia. Como o país irá conciliar essas questões com uma política de mudança climática coerente é a chave do futuro do Brasil.

Tradução: Katarina Peixoto

Artigo publicado em:
http://www.nature.com/news/2010/100929/full/467511b.html?s=news_rss

Fonte: Carta Maior

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