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No Brasil, o ditador Videla estaria todos os dias sendo adulado na TV Globo

por Cristóvão Feil



O contraste entre Brasil e Argentina, no quesito memória histórica e cidadania

O ditador Jorge Rafael Videla se definiu ontem como um preso político, e denunciou que se sente intimidado, que teme pela sua segurança e de sua família e considerou que as afirmações de ex-membros da organização Montoneros durante um ato público no qual recordaram seus tempos de militância constituem “uma ameaça à sociedade de reinstaurar a violência para obter ganhos políticos”. A informação é do diário portenho Página/12, edição de hoje.

As declarações do ex-militar condenado à prisão perpétua como maior responsável pelo genocídio argentino [entre 1976 e 1983] aconteceram durante uma audiência judicial por crimes de torturas e morte de presos políticos da Unidade Penitenciária 1, depois que o Tribunal Oral Federal 1 de Córdoba havia confirmado como integrante pleno o vogal José María Pérez Villalobo, cuja imparcialidade fora questionada pelo ex-major Gustavo Adolfo Alsina, apontado por vários sobreviventes como um dos mais crueis torturadores do Terceiro Corpo do Exército. […]

………………………………….

Faço questão de trazer essa notícia fresca sobre o ditador Videla, que agora reclama por direitos civis, mesmo na condição de condenado pela Justiça argentina por bárbaros crimes contra esses mesmos direitos civis, que ele pisoteou e ignorou.

Vejam o contraste entre Argentina e Brasil, no quesito memória histórica e cidadania. No país vizinho, o sanguinário ditador está condenado à prisão perpétua, seus velhos companheiros, torturadores, assassinos, genocidas, etc., estão sendo julgados, um a um. No Brasil, um ex-agente menor da comunidade de informações, um sujeito que foi condenado por roubo de patrimônio público, um ratinho ladrão de queijo, é procurado pelo diário Folha de S. Paulo para passar suas impressões – pertinentes e acuradas – sobre a personalidade da candidata Dilma Rousseff. O editor da Folha que bolou esta “genial” pauta o fez por verificar que o ex-agente fora um dos destacados pelo aparelho de repressão do Estado para seguir e bisbilhotar Dilma depois que esta saiu de uma prisão de três anos durante a ditadura. Logo, o verme estava habilitado – segundo a editoria de política da Folha – para analisar o perfil psicológico da candidata lulista. A que ponto chegamos!

Se o Brasil tivesse revisado e passado a limpo (via Judiciário) os crimes cometidos durante a ditadura, como fez e segue fazendo a Argentina, o Uruguai, e o Chile, não estaríamos frente a essa aberração histórica: um desqualificado agente-roedor servir de testemunha idônea na tentativa vil de um órgão de imprensa querer desconstituir a candidata que não representa os interesses deste mesmo jornal.

A coisa foi tão bisonha que os dois jornalistas autores da matéria erraram tudo, erraram a data, erraram o governo autor da condenação da ratazana, erraram a mão e não lograram êxito no que se propunham. Mais uma página lamacenta do subjornalismo brasileiro.

O ditador Videla deve nos olhar com ânimo e admiração. Aqui, ele estaria livre e solto, paparicado diariamente nos jornais e tevês, vociferando suas patologias mentais contra os inimigos das ditaduras e das oligarquias.

Fonte: Diário Gauche

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