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A rapa do tacho

Como seu candidato preferencial tornou-se um anti-candidato, ou permanente anti-candidato a candidato, tudo o que resta a ambos – candidato a candidato e a mídia que o anima – é procurar rapar o tacho dos eleitores indecisos ou sensíveis a denúncias vazias para tentar levar a eleição a um segundo turno.

Enquanto a nossa mídia convencional continua, no seu tanque de roupa suja, a avacalhar o presidente Lula e a candidata Dima Rousseff, o “think tank” do International Institute for Strategic Studies atribuiu a ele e sua política externa a maior e melhor projeção que o Brasil alcançou no mundo, nos últimos tempos.

Em seu relatório (Strategic Survey 2010: The Annual Review of World Affairs) deste ano o Instituto destaca como o mundo passa por uma reavaliação das suas ordens de poder, depois da crise começada em 2008. Nesse cenário de mudanças o peso da América Latina cresceu, e o do Brasil foi potenciado pela abertura para vários cenários propiciada pela política externa do governo Lula, solidamente ancorada nas políticas sociais internas e no prestígio que isso trouxe a ele e ao país.

Diante de tais pesos e tais medidas, não surpreende a renitente insistência da campanha das oposições de direita em malhar o ferro frio das denuncias de ocasião, tenham fundamento ou não.

Como seu candidato preferencial tornou-se um anti-candidato, ou permanente anti-candidato a candidato, já que nada tem a oferecer a não ser vagas assertivas sobre “ser melhor” do que o presidente que ora encerra dois vitoriosos mandatos, tudo o que resta a ambos – candidato a candidato e a mídia que o anima – é procurar rapar o tacho dos eleitores indecisos ou sensíveis a denúncias vazias para tentar levar a eleição a um segundo turno. Isso, nessa altura, seria cantado em prosa e verso como uma “derrota” para Dilma, e animaria o por ora desanimado e tedioso campo dessas oposições sem mais assunto.

Na base desse comportamento está o progressivo descolar-se desse conjunto – candidato a anti-candidato e a mídia – da real situação por que o país e o mundo atravessam.

É de se perguntar em que mundo eles vivem, e o que de fato farão se tiverem algum êxito em suas manobras.

Fico pensando em como o candidato a candidato, se se assentasse no trono de seus sonhos, enfrentaria uma reunião da Unasul depois de ter chamado o presidente boliviano de cúmplice (mesmo que seja por omissão) do narcotráfico. Se foi uma bravata, ele agora está preso a ela, porque se desse um claro desmentido de suas afirmações, perderia os votos que com ela rapou no tacho.

A mídia conservadora, seus arautos e seu candidato do vir-a-ser (pois a cada dia anuncia que é uma coisa diferente da de ontem) não conseguem admitir que vivem num mundo em que a subserviência automática não rende mais dividendos no plano externo. E não conseguem ver também que, ao denegar ao ostracismo esse relativamente novo Brasil e sua navegação no mundo real das políticas sociais e da política externa, ferem e procuram cortar o fio da auto-estima melhorada que foi tomando conta da população durante os dois governos Lula.

Isso aumenta o isolamento, que aumenta o ressentimento, que aumenta o isolamento, que aumenta…

Esse imaginário conservador é que permanece, com todas suas modernidades e pós-modernidades, imerso no mundo da Casa Grande e da Senzala: à Senzala o que é da Senzala, isto é, o silêncio e a subserviência. À Casa Grande o que é da Casa Grande: a política e o poder de mando indiscriminado sobre os subalternos. Além da subserviência aos grandes do planeta, é claro.

*Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim

Fonte: Carta Maior

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