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José Serra, o rei dos factóides

A receita do crime: novidades do dia


A participação de Lula no programa de Dilma, a inclusão do genro de Serra na lista dos que tiveram sigilo violado, a reação tucana

por Celso Marcondes*

Causou furor na maioria dos grandes órgãos de imprensa a participação do presidente Lula no programa de Dilma Rousseff na TV neste dia 7. Editoriais, articulistas, entrevistas em profusão questionaram o que se chamou de “confusão do papel de presidente com o de militante petista”. Como se sabe, Lula fechou o programa da candidata, em tom solene, a condenar a escalada tucana sobre o escândalo da Receita, sem aludir diretamente ao fato.

Tucanos e democratas otimistas preferiram ver na entrada em cena de Lula um sinal de preocupação do comando petista: “Se o presidente Lula precisou entrar no assunto é porque o estrago é maior do que se imagina”, vaticinou Rodrigo Maia, presidente do DEM, na coluna de Ricardo Noblat, no Globo.

Já os petistas preferem divulgar que a participação de Lula foi uma decisão do próprio e que visava tão somente aplicar o que se chama de “vacina” no jargão marqueteiro: pegar pesado com seu maior trunfo, antes que a doença se alastre.

Ainda estão vivas nas memórias dos dois lados as lembranças sobre os acontecimentos das últimas semanas de campanha no primeiro turno de 2006. Como todos se recordam, Lula liderava tranquilamente as pesquisas ante Geraldo Alckmin, quando surgiu o caso dos “aloprados”. O alvo da história era Serra, que no momento liderava tranquilamente as pesquisas de intenção de voto contra Mercadante para o governo de São Paulo. Resultado: Alckmin cresceu e levou a eleição para o segundo turno e Serra ganhou no primeiro.

Serra também reagiu duramente ao programa de TV de Dilma: “Essa é a estratégia do PT e da candidata oculta. É a estratégia do presidente Lula. É a estratégia eleitoral do caixa-preta”. E completou “trabalho de quadrilha”, ao lembrar que o dados cadastrais de seu genro Alexandre Bourgeois também haviam sido acessados na agência da Receita de Mauá, outra novidade do dia.

O caso da Receita também foi destaque do debate que ocorreu na TV Gazeta, promovido em conjunto com o Estadão. Dilma não compareceu e foi alvo preferencial dos 3 presentes, Serra, Marina e Plínio.

O tracking da Band/Ig/Vox Populi, medição diária das intenções de votos, ao longo da semana não acusou nenhuma alteração significativa nas intenções de voto por conta do escândalo: Dilma está com 54% , Serra com 21% e Marina com 9%. Neste final de semana devem ser divulgados novos levantamentos do IBOPE e do Datafolha, quando esta tendência poderá ou não ser confirmada.

Outra notícia do dia foi a quebra do sigilo telefônico, determinada pea Polícia Federal, da servidora a agência da Receita de Mauá, Adeildda Ferreira dos Santos. A PF quer saber com quem ela falou nos dias que antecederam as quebras de sigilos fiscais das pessoas ligadas ao PSDB, que foram acessados do seu computador.

Já para a campanha de Marina Silva, o caso é mais um problema, pois acirra a polarização entre PT e PSDB e tira o PV do noticiário. Por isso, ela tem alternado seus pronunciamentos sobre o tema, atacando duramente os vazamentos na Receita, mas também ao criticar a posição de Serra, que estaria se excedendo ao fazer o papel de vítima exclusiva.

Enfim, a 25 dias das eleições, o clima só tende a esquentar. Acompanhemos pois.

*Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br

Fonte: Carta Capital

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