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Pnad: a divisão sexual do trabalho persiste no Brasil

por Maíra Kubík Mano

De acordo com dados divulgados pela Pnad 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), e publicados hoje no UOL, os homens concentram 80% dos maiores rendimentos do país. Na base da pirâmide, a situação não é muito diferente: a Pnad 2009 revela que 77,7% das mulheres em idade ativa têm renda que não superam dois salários mínimos, enquanto entre os homens a média nacional foi de 64,4%.

Infelizmente, não há nenhuma surpresa aí. As mulheres, apesar de cada vez mais inseridas no mercado de trabalho, seguem em situação pior que a dos homens, sejam em cima ou embaixo.

Diversas pesquisadoras importantes na área, como a socióloga Helena Hirata, resumem esse quadro com a expressão “divisão sexual do trabalho”. Esta representaria o fenômeno da concentração das mulheres nas tarefas de reprodução no âmbito doméstico e também em determinados postos de trabalho, e que produz sistematicamente diferenças salariais.

Ou seja, enquanto aos homens é reservado o trabalho que requer mais conhecimento técnico e áreas dotadas de maior capital intensivo, às mulheres caberia o trabalho manual e repetitivo, e disto decorreriam condições inferiores de renda e emprego.

A hipótese prova-se verdadeira quando olhamos para os números: as mulheres são a maior parte dos trabalhadores precarizados ou com jornadas de menos de 40 horas semanais, e chegam à frente nas estatísticas de desempregados. A pesquisa apontou também que as mulheres têm o dobro de participação entre as pessoas sem renda no Brasil. Enquanto 12,1% delas não tinham nenhum rendimento em 2009, entre eles a média era de apenas 6,4%.

E até mesmo onde ocupamos posições equivalentes nossos salários continuam inferiores graças a justificativas pífias como “menor capacidade de lidar com situações de conflito e pressão”. De acordo com Helena Hirata, “as desigualdades de salário – compreendidas em trabalho igual – são constatadas por toda parte do mundo, até em países que assinaram as convenções da Organização Internacional do Trabalho. No setor industrial dos países desenvolvidos, o salário médio das mulheres representa três quartos do salário masculino, devido, em parte a uma menor qualificação no posto, mas também a uma repartição desigual entre os ramos econômicos e os postos ocupados”.

Vamos poupar-nos, portanto, dos discursos de que as mulheres já “conquistaram o mundo” e não têm mais reivindicações a fazer. A desigualdade existe e é gritante.

Fonte: blog Viva Mulher

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