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Se não desligar, Dilma vai a 60% ou mais

por Cristóvão Feil


Brincadeira à parte, se o Lula não a desligar, Dilma de fato vai aos 60% das preferências nacionais, ou mais. [A charge acima é do Angeli.]


Dilma reúne todas as qualidades necessárias para o exercício não-canalha e não-oligárquico da presidência da República. Tirando Lula e Getúlio Vargas, vá lá, Jango e Juscelino, estes, em parte, todos os demais presidentes foram predadores da alma popular.

Dilma só não tem carisma, que é aquele dom divino, sobrenatural de Almeida, que só os santos e os idiotas têm. O resto ela tudo tem. Dois jornalistas, semana passada na Folha, reclamavam que não conheciam a Dilma. Uma, é a Cantanhede, a musa dos babões reacionários. Não conhece a Dilma? Vá, então, conhecer as suas obras no RS e no Brasil. Olhe para o lado e verá pelo menos uma obra física ou imaterial realizada sob a batuta da futura presidente. Vá.

……………….

A propósito, não quero deixar passar em branco a data de hoje, 24 de agosto. Marca a data do suicídio-denúncia de Getúlio Vargas ocorrido exatamente em 24 de agosto de 1954, portanto há 56 anos. O sacrifício da vida como cálculo político preciso e eficaz por dez anos. O golpe ficou adiado.

Vargas foi um marco na história brasileira. É o que eu chamo de homem-revolução-burguesa.

O Brasil se modernizou com esse petiço-grande homem, pequeno na estatura, mas um gigante na visão histórica e política. Ele foi formado na escola positivista do castilhismo-borgismo sul-rio-grandense. A revolução burguesa no Rio Grande do Sul aconteceu a partir da Constituição castilhista de 1891, seguida de uma luta sangrenta provocada pelos latifundiários conservadores e esmagada a bala, degola, e autoritarismo ilustrado e modernizador.

Getúlio Vargas emerge deste caldo primordial e modifica o Brasil. O intrépido tolo que foi (é) o professor Cardoso, que conhecia bem o varguismo, em seu discurso de posse no primeiro mandato, garantiu que iria “desmontar o Estado getulista brasileiro”. Tentou, fez força, mas não conseguiu de todo.

O fato é que São Paulo, sua elite estúpida, jamais engoliu Getúlio. Acadêmicos da USP tentaram desconstituí-lo com teses tão pedantes quanto insuficientes, chegaram a reformar a categoria “populismo” em novas bases para tentar enxovalhar a memória getulista, mas tudo foi em vão.

Lula de uma certa forma retoma a bandeira nacional-popular, não o getulismo, que este, rigorosamente, não existe mais. E Dilma, que conhece bem a história do longo período castilhista-varguista (1891-1954, parte regional, parte nacional), pode sintetizar essa passagem do nacional-popular em trânsito célere para o futuro, na perspectiva de colocar um ponto final no vergonhoso ciclo de miséria e opressão de cerca de 40% dos brasileiros, bem como no oferecimento de condições emancipatórias para as grandes massas, credoras permanentes da oligarquia mais vil e ignorante do planeta Terra.

À memória de Getúlio Vargas, então!

Fotografia de Getúlio Vargas, tirada por John Phillips, publicada na revista Time, em 1939.

Fonte: Diário Gauche

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