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Sobre educação, Enem, debate, e os 50,00 reais em São Paulo

por Maria Frô

Educação deve ser um tema presente no debate eleitoral sem sobra de dúvidas.

Dilma Rousseff, herdeira do legado Lula, entra com vantagem neste debate, pois os números do governo Lula na criação de universidades, escolas técnicas, programas como PROUNI e, agora, o CERTIFIC não envergonham.

Já o candidato Serra, deveria tomar mais cuidado ao propor o tema, pois sua administração em São Paulo e as de seus antecessores tucanos foram desastrosas para a educação paulista em todos os aspectos: vexame nas avaliações nacionais, sucateamento da rede com cerca de 50% dos professores na condição de temporários, truculência nas negociações com professores em greves sejam os da rede do ensino básico, sejam os de nível superior com o fato inédito de transformar a Univesidade de São Paulo em uma praça de guerra com tropa de choque e tudo.

De novo não vou me dar ao trabalho de linkar todas as afirmações que faço nos dois parágrafos anterior. Faça uma pesquisa no blog com palavras chaves que encontrará várias postagem a respeito.

Mas hoje no debate, promovido pelo Grupo Folha/UOL, Serra quis usar o vazamento da prova do ENEM de 2009 como trunfo eleitoral. Se deu muito mal, expôs um grande aliado do próprio candidato a quem Serra foi generoso em acordos comprando jornais encalhados para a Secretaria de Educação. Arriscou-se o tucano falando dos lobos que tomavam conta do galinheiro, o próprio Grupo Folha/UOL. O vazamento das provas do ENEM não ocorreu no INEP – o órgão responsável pelo exame nacional -, mas na gráfica Plural, do Grupo Folha/UOL, que havia vencido a concorrência para a impressão das provas em 2009 e este ano teve o desplante de se inscrever novamente no edital e, obviamente, foi desclassificada.

O MEC, respondeu com #catiguria, fez nota oficial e respondeu aos cidadãos que é o que todo bom governo deve fazer. A nota não menciona o detrator Serra que afirmou que o ENEM era um exame que estava desmoralizado. #Bóra ler a nota:

Nota

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicado em 2009 recebeu 4,1 milhões de inscritos.

A partir das notas do exame, 60.371 estudantes ingressaram no ensino superior em vagas oferecidas por universidades e institutos federais que utilizaram o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza exclusivamente o resultado do Enem como forma de seleção.

Na primeira edição do Sisu, que selecionou candidatos às vagas do primeiro semestre de 2010, 51 instituições participaram – sendo 23 universidades federais e 26 institutos federais de educação, ciência e tecnologia – com a oferta de 47.913 vagas. Após a seleção, 97% das vagas foram ocupadas, o que representa 46.475 estudantes matriculados.

No segundo semestre, foram 35 instituições participantes, sendo 15 universidades federais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). Aderiram ao sistema oito instituições que não participaram do primeiro processo, em janeiro — universidades federais de Viçosa (UFV), Uberlândia (UFU) e Mato Grosso do Sul (UFMS); universidades estaduais do Rio Grande do Sul (Uergs) e de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal); institutos federais do Ceará e do Sul de Minas Gerais e o Cefet do Rio de Janeiro.

Neste processo, foram ofertadas 16.573 vagas, sendo que 13.896 já foram ocupadas. As instituições continuam convocando os candidatos a partir da lista de espera

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, marcado para os dias 6 e 7 de novembro, recebeu 4,6 milhões de inscrições.

Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação

Agora voltemos para o estado onde os tucanos governam há 16 anos. Serra é o ex-governador deste estado: São Paulo e o atual Secretário da Educação foi empossado por Serra e também foi ministro da Educação no governo tucano de FHC.

O secretário Paulo Renato teve a “brilhante” idéia de dar em mãos cinquenta reais para cada aluno que frequentasse as aulas de reforço escolar de matemática.

Quando ouvi a notícia achei que era intriga desta oposição de ‘aloprados’ da campanha do Mercadante que não se cansam de falar para ouvidos moucos de Higienópolis. Gritam os petistas alucinados que Geraldo é mais do mesmo, falam aos quatro cantos sobre os pedágios mais caros do país que subsidiam a viagem dos bacanas para as praias do litoral norte e encarece a comida do pobre na mesa; falam do sucateamento da educação pública; da caótica paulicéia desvairada que nos faz perder tempo no trânsito, nos ônibus e trens lotados e nos rouba qualidade de vida; falam de obras superfaturadas que além de nunca ficarem prontas, desmantelam-se em buracos de metrô que engoliram sete vidas, do desmoronamento de base de sutentação do rodoanel que está há quinze anos em construção; do Tietê que não é limpo e engole draga, alaga o Jardim Romano e engole vidas; falam da mercantilização da saúde terceirizada etc. Os moradores da Vila Boim não andam de metrô e se organizam para que o metrô sequer se aproxime de Higienópolis, pobre não é massa cheirosa, essa turma tem narizes sensíveis.

Quanto a mim, espantada, não conseguia acreditar como um secretário da educação por mais maluco que fosse poderia propor tal solução para reverter os vexames dos alunos paulistas nas avaliações de desempenho. Mas os cinquenta dinheiros não era ficção como tudo que narrei no parágrafo anterior. Ouvi dos próprios professores que era verdade e hoje leio o artigo de Laura Capriglione sobre o assunto que transcrevo ao final deste post.

Fico aqui pensando que o candidato Serra deveria ser mais cuidadoso, porque anda facilitando demais a vida da candidata Dilma Rousseff. Antes de abrir a boca para falar sobre educação, ENEM e moralidade, Serra deveria verificar os dados. Um exame que de um ano para o outro aumentou meio milhão de inscritos dispostos a realizá-lo não pode estar desmoralizado, ao contrário, mostra que a cada anos os alunos do Ensino Médio e as escolas privadas ou públicas se esforçam para constar em sua lista de aprovação. As privadas inclusive fazem marketing com os resultados do ENEM.

O candidato deveria também olhar para o estado da educação em seu próprio estado, pois ela é o resultado da herança dos 50 dinheiros de seu governo e dos seus pares que desgovernam o estado de São Paulo há 16 anos. #ficaadica

“Insustentável leveza”

Por: Laura Capriglione, na Folha de São Paulo

É de estarrecer a forma como se comporta o governo do Estado de São Paulo quando o assunto é educação.

Agora, uma medida que se chegou a apresentar como revolucionária cai por terra antes mesmo de ser aplicada. Trata-se do chamado “vale-presente” – a Secretaria da Educação daria R$ 50 a alunos que, em dificuldades com matemática, não faltassem a aulas de reforço.

Houve quem visse no “presente” propósitos eleitoreiros, outros acusaram-no de premiar o fracasso escolar (bons alunos não concorreriam ao benefício), outros ainda de ser antieducativo, já que, ao prazer do aprendizado, que deveria ser o alvo do processo pedagógico, se anteporia a força da grana.

Ocioso, agora, discutir as objeções. O que assombra é a leveza beirando a irresponsabilidade com que o secretário Paulo Renato Souza anunciou o cancelamento do programa, ontem, na Folha: “É um projeto que está muito cru”, disse ele. “Muito cru”, secretário?

Tem sido assim a condução da educação pública paulista.

Projetos ditos sensacionais em um dia evaporam no dia seguinte. Isso ajuda a explicar por que são pífios os indicadores de desempenho escolar no Estado mais rico.

E não melhoram, como o próprio Paulo Renato foi obrigado a reconhecer à vista dos resultados do último Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo): “Numa avaliação média, eu diria que tivemos uma estagnação”, admitiu, confrontado com o fato de que a performance em matemática no ensino médio chegou a regredir entre 2008 e 2009.

Em português e matemática, a nota dos alunos do 3º ano do ensino médio atesta que eles têm competência abaixo da que seria esperada para alunos da 8ª série do ensino fundamental.

São 15,5 anos de administrações tucanas em São Paulo.

Uma criou a Escola da Família, outra desidratou-a. Primeiro se trombeteou que professores temporários sem qualificação para lecionar seriam demitidos. Depois o propósito foi abandonado. “Minha primeira obrigação é garantir aula”, disse o secretário, como se alguém discordasse.

Até uma incrível parceria entre a cantora pop Madonna e a Secretaria da Educação chegou a ser alardeada, com direito a foto do secretário e do então governador José Serra em troca de sorrisos com a “Material Girl”.

A ideia era aplicar um tal “programa educacional baseado em princípios cabalísticos” na rede pública. “Não é propriamente um programa formal, mas para desenvolver psicologicamente. Para enfrentar melhor a vida”, disse Serra à época. Foi só a mãe de Lourdes Maria voltar para casa e nunca mais se falou no assunto. Seria tudo uma piada se não se tratasse das vidas e esperanças de tantos jovens.

Fontes: nota do MEC, texto da Folha

Fonte: Blog da Maria Frô

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