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Dilma, uma jovem cidadã e resistente

Da Série Memórias: A resistência de Dilma e o tiro no pé do Senador Agripino Maia

por Maria Frô [Conceição Oliveira]

Em maio de 2008, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi convidada, e aceitou o convite do Senado para prestar esclarecimentos à comissão que apurava a montagem de um suposto dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), no âmbito do Ministério da Fazenda.

Para variar, o suposto dossiê não passou de mais um factóide desejoso de criar uma crise no governo Lula. Deu em nada, porque não havia dossiê algum. De todo modo a presença de Dilma no Senado ofereceu a ela um dos melhores momentos na defesa de sua militância, durante os Anos de Chumbo, contra a ditadura militar. Trata-se da resposta que Dilma deu à pergunta tosca e mal intencionada do senador Agripino Maia que perdeu uma grande chance de ficar quieto. Transcrevo-a. A resposta foi tão precisa e emocionante que até o Jô Soares teve de tirar uma onda da fala infeliz do senador.

Agripino Maia pede a palavra para colocar sob suspeita o depoimento da então ministra e cita uma entrevista na qual Dilma admitia ter mentido ao longo de sua vida. Maia releu a declaração da ex-militante de esquerda contra a ditadura, quando ela admite ter “mentido, mentido feito doido, mentido muito” aos seus algozes, durante as várias sessões de tortura a que foi submetida na prisão.

Em resposta ao senador do DEM, com a voz embargada, Dilma afirmou que se orgulhava muito de ter mentido naquela situação:

– Eu tinha 19 anos, fiquei três anos na cadeia e fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogadores compromete a vida de seus iguais, entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, senador, porque mentir sob tortura não é fácil. Agora, na democracia se fala a verdade. Diante da tortura, quem tem coragem, dignidade, fala mentira. Esse diálogo aqui (no Senado) é o diálogo democrático. A oposição pode me fazer perguntas. Vou poder responder. Nós estamos em igualdade de condições, humanas, materiais. Não estamos num diálogo entre o meu pescoço e a forca, senador. E acredito, senador, que estavamos em momentos diversos das nossas vidas (na época).

Fonte: Correio do Brasil


Fonte: Blog da Maria Frô

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