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Israel abre uma avenida para a catástrofe

Por José Arbex Jr

As crescentes tensões entre os governos dos Estados Unidos e Israel atingiram, nos últimos meses, um nível sem precedentes desde 1956, quando Israel resolveu atacar o Egito, em operação conjunta com a Inglaterra e a França, sem prévio conhecimento da Casa Branca, para tomar o controle do Canal de Suez. Elas são o reflexo de uma perigosíssima tormenta que se prepara no Oriente Médio e na Ásia central, envolvendo o conjunto dos países árabes e islâmicos, incluindo Afeganistão, Paquistão, Irã e, claro, Estados Unidos, Rússia e Israel. Exagero? Longe disso. Com a palavra o vice-presidente estadunidense Joseph Biden, durante uma visita a Israel, em 10 de março, ao advertir o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, segundo relata o jornal Yediot Aharanoth, um dos mais influentes em Israel:

“A coisa está começando a ficar muito perigosa para nós. O que vocês estão fazendo aqui cria novas ameaças à segurança dos nossos soldados que combatem no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. Criam-se riscos novos para nós e para a paz regional”. A advertência ganha maior significado quando se recorda que Biden é um fervoroso defensor de Israel. Em outubro de 2006, o então senador pelo Partido Democrata chegou a afirmar que o apoio dos democratas ao Estado judeu “vem de nossas vísceras, atinge o coração e vai até o cérebro. É quase genético.”

Biden criticava a política de implantação de novos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados, em especial no setor oriental (árabe) de Jerusalém. No momento mesmo em que o vice-presidente iniciava sua visita a Israel, Netanyahu anunciava a instalação de 1.600 novas casas para judeus ultraortodoxos no bairro de Ramat Shlomo, em Jerusalém Oriental, além da construção de 112 novos apartamentos em Beitar Illit, na Cisjordânia. Irritado, Biden afirmou que “dado que muitos, no mundo muçulmano, veem uma clara conexão entre as ações de Israel e a política dos Estados Unidos na região, qualquer decisão que agrida os direitos de palestinos em Jerusalém Leste terá impacto direto na segurança pessoal dos soldados americanos que combatem o terrorismo islâmico”

As advertências de Biden refletem as conclusões de um relatório apresentado no final de 2009 pelo general estadunidense David Petraeus ao Comando Unificado das Forças Armadas dos Estados Unidos. Segundo o relatório, “cresce entre os líderes árabes a percepção de que os Estados Unidos não conseguirão enfrentar Israel, que os países cobertos pelo Centcom – quase todos árabes – começam a perder a fé nas promessas dos Estados Unidos; que a intransigência do governo de Israel no conflito Israel-Palestina está pondo em risco a autoridade dos Estados Unidos na região. ”Centcom é a sigla em inglês de Comando Central, uma instância de controle das Forças Armadas estadunidenses, criada em 1983, para monitorar uma vasta área que compreende o Oriente Médio e a Ásia Central.

*José Arbex Jr. é jornalista.

Fonte: Caros Amigos

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