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É preciso registrar e fazer um memorial da escravidão atual no Brasil

Os crimes do agronegócio

por Cristóvão Feil

A propósito do tema (repugnante) tratado pela jornalista Miriam Leitão de O Globo (publicado noeste post), e conhecendo parte do trabalho do fotógrafo e sociólogo estadunidense Lewis Wickes Hine (1874-1940), eu quero sugerir ao Ministério do Trabalho que faça o mesmo que o Comitê Nacional do Trabalho Infantil dos EUA. Contratar uma empreitada de fotografia antropológica para registrar os crimes do agronégocio no campo, ou seja, trabalho forçado, servidão por dívida, jornada exaustiva (inclusive infantil) e trabalho degradante – que configuram condição análoga à de escravo.

Os registros – em fotografia e vídeo – dariam o testemunho dos horrores que se vêem no campo brasileiro, hoje. A publicação em livros ou mesmo documentários em HD seriam memoriais de dor e sofrimento, mas sobretudo de denúncia para as deformidades que o avanço do capitalismo monopolista – controlado por meia dúzia de corporações mundiais – produziu e produz (agora) no interior do País.

Entre 2003 e 2009, foram encontrados 30 mil trabalhadores em condições análogas às da escravidão nas fazendas inspecionadas pelas delegacias do Trabalho. “Uma minoria é autuada”, conforme denuncia a insuspeita Miriam Leitão. Outras são simplesmente advertidas ou orientadas sobre o cumprimento da lei. É nestas inspeções que os fotógrafos, antropólogos e sociólogos deveriam/poderiam participar.

Temo que o Ministério do Trabalho, controlado pelo PDT, nem queira ouvir falar disso (teriam que contratar profissionais de fato e não cupinchas do ministro).

Mas fica a sugestão.

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Uma resposta para

  1. Anonymous disse:

    >operadores e sim de auxiliares há mais de 3 anos, e ainda não recebem insalubridade os Nesta indústria de produtos alimenticios piraque os funcionários que operam as máquinas não recebem salário de funcionários que operam o forno. Há mais de 5 anos que não é feita a medição de temperatura. E a auditora fiscal do trabalho Elizabete Fernandes Cavalcanti autuou a firma e até agora não houve mudança, gostaria que ela retornasse e fizesse uma nova fiscalização.GRATO.

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