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Quem tem medo?

por Marco Aurélio Mello

Recebi o documento em envelope lacrado com carimbo de confidencial: Uma pequena guerra, do espanhol guerrilla, ou guerrilha é um tipo de guerra não convencional, que tem de um lado um oponente forte e bem armado e, de outro, combatentes hábeis, velozes e capazes de se camuflar e se esconder rapidamente. Esta é, hoje, a disputa que se dá entre a grande imprensa e os produtores de conteúdo, jornalístico ou não, entrincheirados na rede invisivel e ramificada da web. O enfrentamento se dá a partir de idéias, que não encontram acolhida entre as teses formais; e de informações, que não teriam relevância, não fosse um olhar mais atento e desvinculado dos interesses tradicionais. Quando o adversário, por mais forte que seja, admite limitações nesse campo de combate, como tem acontecido nos últimos tempos, é sinal de que os “guerrilheiros” começam a vencer, não só no plano material, mas principalmente no plano moral, cuja ação é psicológica. Enfraquecidos, os setores tradicionais começam a enfrentar uma chaga que nasce dentro do próprio corpo e é representada formalmente pela deserção (o que também já se nota). Por isso, a necessidade de transformar desertores em criminosos, como forma de intimidar e evitar que as baixas se dêem por desistência ao combate. Ao agir em vários flancos, os exércitos formais perdem coordenação, mobilidade e, consequentemente, capacidade de ação. Como a liberdade de ação na rede é enorme, as estratégias formais de ação dos guerrilheiros não perdem efeito, ao contrário, se multiplicam. Assim, só há uma maneira de modificar esse quadro, que tende a levar à desmobilização das forças convencionais: 1. A criação imediata do Instituto Millenium, que reuna pensadores capazer de forjar um discurso de forte apelo emocional, preferencialmente atemorizando a opinião pública. 2. A criação de meios de reduzir o campo de ação dos guerrilheiros (regulamentação severa, censura e manipulação). 3. O esgotamento da capacidade do adversário de renovar as forças para uma nova ação (sufocamento). Mas a estratégia vai exigir de todos esforço considerável e, se a duração for muito longa, o tempo pode ser fator insuportável. O passo seguinte seria uma Guerra de Libertação, popular e de forte apelo emocional. Este será o novo cenário, caso nada seja feito a tempo. E as consequências serão a revisão da lei de concessões e a nova dinâmica de distribuição de verbas públicas para comunicação. É isso o que nossos adversários pretendem e é contra isso que temos que lutar com todas as armas que temos. Mas eles têm uma boa maneira de impedir nossa repressão: eles conseguem novos “informantes” numa velocidade e dimensão jamais experimentadas. Portanto, nessa Guerra, temos que usar o medo como forma de esgotar suas principais fontes: a livre circulação de idéias e informação.

fonte: DoLadoDeLá

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