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Reformistas de araque

por Guilherme Scalzilli

A aprovação da reforma da saúde proposta por Barack Obama foi festejada por nossos analistas como vitória da civilização contra a barbárie. Jânio de Freitas, na Folha, chegou a afirmar que “Obama não comprou nem um deputado ou senador, não atraiu nenhum jornalista, não vendeu ministério algum nem alto cargo” (cuidado com Jânio: ele tem o poder da onisciência).

É verdade que Obama superou uma campanha obscurantista movida pela pior direita antidemocrática. Mas o projeto possui limitações importantes. Por exemplo, não institui o acesso gratuito ao sistema de saúde, que permanecerá fundamentalmente privado e restritivo. A estrutura institucional que permite os absurdos exibidos por Michael Moore no filme “Sicko” (2007) segue intocada.

O noticiário continua supervalorizando a simbologia da eleição de Obama, fazendo vistas grossas para os equívocos e as restrições de seu governo. No entanto, salvo as costumeiras demonstrações de provincianismo, o episódio ilumina o reformismo de conveniência que se apodera de nossos comentaristas quando se trata de mexer nas estruturas alheias. São os primeiros a negligenciar iniciativas modernizadoras que ameacem os privilégios de políticos e empresas brasileiros.

Fonte: Blog do Guilherme Scalzilli

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