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Que desperdício

por Marco Aurélio Mello

Hoje cedo estava passeando com o caçula Gabriel pelos parques da cidade. Como ele estuda à tarde, a Alexandra (que aliás está aniversariando hoje) e eu, dividimos a tarefa (e o prazer) de fazer companhia a ele durante as manhãs. E mais um dia brotou aquela que se transformou numa reflexão recorrente: como pode uma cidade com tantos “aparelhos” públicos estar praticamente vazia durante a semana? E nos fins de semana, então, quando o movimento não chega nem perto do que vemos pela TV em outros países dito mais desenvolvidos? Acho que tenho algumas respostas. A primeira é óbvia: pais e mães trabalham o dia todo e dificilmente têm as manhãs livres para fazer companhia a seus pequenos. Ok, mas não é só isso. As praças e parques ficam muito longe da cidade verdadeira (que vive na periferia). Quase tudo está na região central e, portanto, de acesso difícil e demorado para os moradores. Outra constatação é que a classe média vive em condomínios e, quase todos, têm suas áreas internas de convivência (guetos). Outro grande problema é que praças e parques não têm cercas, nem grades de proteção contra o trânsito intenso ao redor, salvo raríssimas e honrosas exceções. Afinal, não é novidade para ninguém que vivemos num mundo automobilístico. Mas talvez a constatação mais terrível de todas é a de que a maioria das pessoas não está aberta para “conviver”. Temem o novo, o inesperado, o simples gesto de bom dia, dito por um desconhecido. As poucas pessoas que rompem com essa lógica de segregação causam espanto, surpresa, admiração e, de vez em quando, até discriminação. Qual será a intenção desse sujeito? Se perguntam. Seria um pedófilo disfarçado de papai? Seria um maníaco em busca da próxima vítima? Mas a realidade impõe uma certeza: quem desconhece o bem público que toda cidade tem a oferecer está perdendo uma enorme oportunidade de “humanização”, primeiro pequeno passo para a tolerância, a solidariedade e a justiça social.

Fonte: DoLadoDeLá

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