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O terreno visto de cima

por Marco Aurélio Mello

– Governador?
– Aqui na eternidade não temos passado, nem futuro. Portanto, me chame apenas pelo meu nome, por favor.
– Ok, como vai o senhor, seu Mário Covas?
– Muito bem, como todos por aqui também.
– Como é o céu?
– O céu somos nós que fazemos. Ele é um lugar que não existe na prática, porque aqui não há essa noção de tempo e espaço, que vocês têm aí embaixo.
– E o inferno, é perto?
– Outra confusão que vocês fazem é essa: o inferno não existe.
– Como assim?
– O inferno e o paraíso estão dentro de nós. Quanto mais aproximamos nossa crença à nossa ação, melhor é a nossa existência no firmamento.
– Mas como é a rotina aí, o que se faz…
– Bom, depende. Eu passo boa parte do meu tempo, se é que posso chamar assim, jogando.
– Jogando no céu?
– Sim. Temos um grupo que, ora joga buraco, ora dominó.
– E quem são?
– Bom, tem o Severo (Gomes), o Franco (Montoro) e o Ulisses (Guimarães).
– E quem é o melhor jogador?
– Aqui não tem melhor. Aliás, uma coisa que aqui não existe é hierarquia, poder, dinheiro, fama e nenhum dos sentimentos que aprisionam os pobres mortais.
– Então como funciona o jogo?
– Distribuimos as cartas e jogamos?
– E quando um bate?
– Nunca ninguém bate porque o jogo termina sem essa opção.
– E que graça tem então?
– Só estando aqui para saber…
– O senhor tem notícia do Tancredo?
– De vez em quando ele aparece. Mas anda muito ocupado tentando inspirar o neto.
– Ah, sei.
– O problema do Aécio é que ele é muito jovem e foi castigado com o charme e a beleza, que vivem tirando ele do caminho. Não pode ver um rabo de saia, nem receber um convite para festa no Rio que lá vai ele…
– O senhor acha que ele não está preparado para ser presidente.
– Ainda não. Não sei se sabe, mas toda vez que olhamos para baixo uma enorme tela de LCD se abre aos nossos pés. Parece cinemascope, não sei se é da sua época…
– Não, mais sei do que se trata.
– Dessa forma podemos ver o presente, o passado e o futuro. Basta querer.
– Não diga, que bom. E o que o senhor tem a me dizer então do futuro do candidato do partido que o senhor ajudou a construir?
– Sombrio, como ele o é. Política é a arte da conciliação, não da divisão. Ele não agrega, ele divide. Veja o que fez com o Alckmin, até com o próprio Aécio, com os demos…
– Quer dizer então que a próxima eleição é da Dilma.
– Não falo sobre o futuro.
– Ok, então fale o que o senhor acha do atual presidente.
– Olha, sempre fomos amigos. Outro dia tive com o Sérgio Vieira de Mello, lembra dele?
– Claro.
– E o Sérgio tem uma boa definição: Lula é um apaziguador! Um dos maiores que a humanidade já viu. Não por acaso, tem sido chamado para mediar conflitos no mundo todo. Veja a cilada que armou para os israelenses, por exemplo. Veja o que fez com a secretária de estado americana, que voltou para casa com o rabo entre as pernas… Veja a aproximação respeitosa com paises do chamado “eixo do mal”. A compra dos caças. O Sérgio fez uma lista de exemplos.
– Então ele vai para o céu?
– Ele já está no céu, meu caro. Agora me desculpe que tenho um encontro com São Pedro. Ele e São Paulo não se entendem ultimamente. Culpa de quem? Do Serra, é claro.
– Só mais uma pergunta: e o terreno?
– Qual, o do brooklim?
– Isso?
– Não quero falar sobre isso. Uma hora a verdade aparecerá.
– Posso publicar nossa conversa no blog?
– Claro que pode, ninguém vai acreditar mesmo.
– É verdade!
– Adeuuuuuuuuuuuus.

Fonte: DoLadoDeLá

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