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Guerra lúmpen no Rio Grande do Sul




Está sendo construída uma versão apolítica e inodora para a morte violenta do secretário de Fogaça

por Cristóvão Feil, no Diário Gauche

No sábado ainda, horas depois do assassinato do secretário da Saúde do prefeito José Fogaça, Marcelo Rech, diretor-geral de produto do grupo RBS escrevia em Zero Hora que Eliseu Santos foi um “semeador de tempestades”. E perguntava: “Quem são os executores? Quem mandou matar?”

Hoje, segunda-feira, o jornalista Humberto Trezzi escreve, na página 35 de ZH, em tom falsamente queixoso que “são tantas as informações que conspiram contra a tese de atentado que fica difícil resumir em tão pouco espaço”.

Há, portanto, uma guinada no tratamento midiático do chamado caso Eliseu. A espontaneidade das primeiras horas cede espaço para um tratamento editorial que visa esvaziá-lo de conteúdos políticos ou que envolvam interesses relativos ao submundo das disputas licitatórias, ligações com o caso Pathos, o recentíssimo depoimento da vítima à Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção na prefeitura de Porto Alegre, ameaças de morte recebidas reiteradas vezes pelo secretário, etc.

É de estranhar uma informação dada pelo próprio jornal da RBS, o fato de o prefeito José Fogaça ter permanecido cerca de dez longas horas junto ao caixão do seu ex-subordinado, no velório realizado na Assembléia Legislativa estadual.

Especialmente quando se sabe que Fogaça não chega a permanecer dez horas por semana no seu gabinete do Paço Municipal de Porto Alegre, haja vista a sua manifesta inapetência para atos administrativos ou que exijam esforços físicos prolongados como viagens, velórios e inspeções burocráticas de rotina.

Isso revela que Fogaça está vivendo momentos de grande tensão e expectativa pelos desdobramentos que o “caso Eliseu” pode desencadear.

A morte do secretário de Fogaça está certamente no centro dos novos requerimentos de disputa política inaugurada pela direita guasca, desde o advento do yedo-tucano-peemedebismo no estado, onde grupos de lúmpens ascensionais e “politizados” sentem-se em casa e à vontade para imporem seus métodos heterodoxos e sem limites morais.

A versão de latrocínio – não se estranhe se prevalecer finalmente a versão de abigeato, por mais punk que possa parecer – é o caminho mais curto para pendurar um novo esqueleto no armário da direita sulina. Pode não ser inodoro, mas é apolítico, sim.

Aliás, no Rio Grande, hoje, depois do pântano yedista, quem está preocupado com mau cheiro?

Fonte: Diário Gauche

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