>O caráter de Serra

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Gripe suína: Serra assume como “obra” dele vacina comprada pelo Ministério da Saúde para o Brasil

por Conceição Lemes


Um release com esta manchete foi enviado a toda mídia.


Serra_vacina__manchete_.jpg

O evento começou às 12 horas, no Instituto Butantan, órgão vinculado ao governo do Estado de São Paulo. Ás 13, o governador José Serra (PSDB) chegou. Após entrevista coletiva à imprensa, ele visitou o local onde estão armazenados os tonéis com as vacinas contra a influenza A, ou gripe A, mais conhecida como gripe suína.

A íntegra do comunicado distribuído pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo está aqui.

Atente ao primeiro parágrafo do comunicado.
Serra - vacina - primeiro parágrafo_1.jpg

Observe também as legendas que acompanham as fotos da notícia no Portal do Governo do Estado de São Paulo.

serra_vacina_imagem_dele__legenda.jpg

Serra___vacina__tonel.jpg

Lendo todo o material, distribuído oficialmente, parece que o Estado de São Paulo, com o governador José Serra à frente:

1. Arcará com os custos vacinas contra gripe suína no Brasil.

2. Distribuirá vacina via Ministério da Saúde.

3. São Paulo será o primeiro a dispor da vacina no país.

4. São Paulo saiu na frente do restante do Brasil, inclusive do próprio Ministério da Saúde.

Na realidade, José Serra montou o palanque político para aparecer, agora, no noticiário, e, depois, na campanha presidencial, como “o pai das vacinas contra a gripe suína no Brasil”.

Mas o “ teste de DNA” desmente o governador José Serra e Luiz Roberto Barradas Barata, o secretário estadual de Saúde. O verdadeiro pai das vacinas contra a nova gripe no Brasil é o governo federal por meio do Ministério da Saúde.

De novo, José Serra tenta se apropriar de “filhos” bonitos, famosos, dos outros. Fez isso, por exemplo, com o Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, considerado um exemplo no mundo, e que ele assume como sua criação. Só que os verdadeiros criadores são a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues e o professor Adib Jatene, como você pode ver aqui.

Outro exemplo famoso é dos remédios genéricos.

“Serra, pai dos genéricos? PSDB, criador dos genéricos? Assumir como deles é um embuste!”, disse em junho de 2009 ao Viomundo, o médico Jamil Haddad, falecido no final de dezembro, aos 83 anos. Ex- deputado federal, ex-prefeito do Rio Janeiro e ministro da Saúde de outubro de 1992 a agosto de1993, Jamil Haddad é o verdadeiro pai dos genéricos do Brasil (veja aqui).

Sobre as vacinas contra a gripe suína a verdade é esta:

1. O Ministério da Saúde custeará todas as vacinas contra a gripe suína no Brasil, inclusive as seringas e agulhas para aplicá-las. Representa um investimento de R$ 1,006 bilhão.

2. O Ministério da Saúde adquiriu 83 milhões de doses da vacina de três fornecedores distintos: Glaxo Smith Kline (GSK), Sanofi-Pasteur (via Instituto Butantan) e Fundo Rotatório de Vacinas da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

3. Da Glaxo Smith Kline (GSK), foram adquiridas 40 milhões de doses. Foi o primeiro lote. A compra foi fechada em novembro 2009, a partir do menor preço apresentado pelos concorrentes em um processo de compra emergencial. O custo unitário da dose foi de US$ 6,43 – representando investimento global de US$ 257,2 milhões (R$ 444,7 milhões).

4. Do Laboratório Sanofi-Pasteur (via Butantan), foram adquiridas 33 milhões de doses. O acordo prevê: 1 milhão de doses prontas (600 mil chegaram no dia 30 de dezembro de 2009, 400 mil estão a caminho); e 32 milhões de doses para serem envasadas (colocadas em frasquinhos e rotuladas) pelo Butantan. Cinco milhões já estão em tonéis no Butantan.

Detalhe 1: Como o acordo fechado com o Ministério da Saúde prevê a transferência de tecnologia do Sanofi-Pasteur para o Instituto Butantan, o custo unitário da vacina será um pouco mais caro do que o pago aos dois outros fornecedores: US$ 7,6 – representando investimento de US$ 250,8 milhões (R$ 438,9 milhões). Todo esse custo será coberto pelo governo federal.

Detalhe 2: como há notícias de que a certificação da fábrica do Butantan estaria atrasada, o Ministério da Saúde acredita que, na impossibilidade de as 32 milhões de doses serem envasadas no Brasil, elas serão fornecidas já prontas pela Sanofi ao Instituto.

Hoje à tarde a própria assessoria de imprensa do Butantan informou a esta repórter que o Instituto deverá receber da Sanofi mais 23 milhões de doses prontas.

“O Ministério da Saúde, porém, ainda não havia sido informado oficialmente sobre isso pelo Butantan. O ministério tem um calendário de entregas acertado com o Instituto e está seguro de que, se houver alguma possibilidade de alteração neste cronograma, será imediatamente informado pelo órgão”, informou a assessoria de imprensa do MS ao Viomundo.

O acordo firmado pelo Ministério da Saúde com o Sanofi-Pasteur (via Butantan) prevê 33 milhões de doses e não 41 millhões de doses, como vem sendo anunciado desde o dia 5 de janeiro, terça-feira, pelo governo do Estado de São Paulo.

Nesta quinta-feira, porém, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo informou oficialmente por e-mail ao Ministério da Saúde que a Sanofi-Pasteur tem condições de vender mais 8 milhões de doses da vacina ao Brasil. Afinal, na Europa está sobrando vacina. O Ministério da Saúde analisa a proposta, já que quem paga a conta é o governo federal.

Detalhe 3: As vacinas já foram ANTECIPADAMENTE pagas aos fornecedores.

5. O acordo mais recente foi firmado com o Fundo Rotatório de Vacinas da OPAS. Prevê aquisição de 10 milhões de doses em 2010 – investimento de US$ 70 milhões de dólares (US$ 7 por dose), o equivalente a R$ 122,5 milhões.

6. Os laboratórios enviarão as doses ao Ministério da Saúde de maneira escalonada, entre janeiro e março; a vacinação será realizada entre março e abril de 2010.

7. Os grupos prioritários para a vacinação serão estabelecidos com base em critérios epidemiológicos e recomendações de sociedades médicas do Brasil e no exterior. Entre eles, estão grávidas, trabalhadores de saúde envolvidos no atendimento aos pacientes, crianças entre 6 meses e 2 anos, indígenas e pessoas com doenças crônicas preexistentes, como cardíacas, pulmonares, renais, diabetes.

8. O Ministério da Saúde e não o Instituto Butantan distribuirá a vacina contra a gripe suína para todos os estados brasileiros, inclusive São Paulo.

Entre o final de janeiro e início de fevereiro, o Ministério da Saúde anunciará, em detalhes, a estratégia nacional de vacinação contra a gripe suína para o país.

“Não há, neste momento, distribuição de vacina à população em nenhum estado brasileiro”, salienta o médico Gerson Penna, secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. “As doses serão distribuídas nacionalmente quando houver estoque suficiente para viabilizar a estratégia de vacinação simultanamente em todo o país.”

Fonte: Vi o Mundo

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