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Serra “não sabe” o que acontece no quintal dele

por Luiz Carlos Azenha

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A declaração acima foi publicada pelo jornal O Globo. É o governador de São Paulo, culpando “a população” pelas enchentes. O repórter poderia ter perguntado a Serra porque ele deixou para fazer a campanha do lixo em 2010. Poderia ter feito quando se elegeu prefeito de São Paulo, em 2004. Ou não?

O fato é que estive neste sábado em uma rua da região da Santa Ifigênia, em São Paulo. Uma rua de grande movimento. Quando as lojas fecham ao meio-dia, as ruas ficam cheias de lixo. É costumeiro, me disse um taxista. E o mesmo se dá em outras áreas de grande movimento, como a 25 de março e o Brás, sempre de acordo com o motorista. Mas, e se chove? Aí o lixo vai para o bueiro, respondeu o motorista. O lixo fica lá, esperando a varrição de segunda-feira. O lixo fica lá, 48 horas nas ruas. Eram seis da tarde quando passei pela Santa Ifigênia. O lixo estava lá, espalhado na rua.

Então me lembrei dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Logo depois de cada escola, vem o batalhão de garis. Não sei se o mesmo acontece em São Paulo. Presumo que sim.

Ora, se a prefeitura pode fazer varrição logo depois de uma escola de samba, porque não pode fazer o mesmo assim que as lojas fecham nos lugares mais movimentados de São Paulo, especialmente nessa época de maior movimento? Enquanto o governador José Serra e o prefeito Kassab não transformam todos os paulistas em suiços, não faria mais sentido uma varrição completa de algumas ruas? Ou a “governança” paulista manda esperar 48 horas até tirar o lixo do centro de São Paulo? Ou deixar o lixo lá é conveniente, já que permite culpar a população pelo fracasso das medidas tomadas para evitar as enchentes?

Suspeito que o Tietê não corre tanto quanto deveria por alguma falha estrutural na gigantesca obra da calha, que deveria ter aprofundado o rio em 2,5 metros. Ou por algum erro de cálculo sobre a lama e as pedras que o Tietê normalmente arrasta com ele, como qualquer outro rio.

A verdade é que a obra é daquelas que fazem o sonho das empreiteiras: não acabará nunca. Sim, o rio Tietê — como qualquer outro rio — arrasta consigo sedimentos, pedras e lixo. Notem que o “lixo”, nessa equação, é apenas parte de um problema mais amplo. Limpar a calha do Tietê, portanto, é uma tarefa diária. E jogar a culpa no “lixo” e, por extensão, na “população”, é muito conveniente.

Se houvesse oposição digna de nome ao governador José Serra, em São Paulo, ela estaria pedindo satisfações sobre essa caixa preta chamada Tietê. Quanto se gasta? As obras estão sendo feitas adequadamente? A limpeza da calha do Tietê acompanha o ritmo do assoreamento natural?

A minha suspeita — repito, é apenas suspeita — é que a obra milionária que prometia salvar São Paulo das enchentes — a da calha do Tietê — tinha prazo de validade. Era para suportar uma vazão máxima do rio. Mas, como desde 1995 São Paulo continuou crescendo e impermeabilizando o solo, chuvas concentradas sobre a bacia do alto Tietê provocarão novos transbordamentos. Já aconteceram três, desde que Geraldo Alckmin disse ter acabado com as enchentes.

Essa é uma questão muito importante, pois diz respeito diretamente à famosa “capacidade gerencial” dos tucanos. Onde andam os senadores Eduardo Suplicy e Aloízio Mercadante? Ah, já sei, ocupados com o twitter. Assim como o governador paulista.

Fonte: Vi o Mundo

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