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O Jornalismo mal intencionado

por JV, no blog do NassifLink

Por trás dos termos e do tom dos desmentidos, é perfeitamente possível reconstituir o episódio banal que a irresponsabilidade da Folha de São Paulo levou para o primeiro plano do debate político nacional. O presidente Lula, numa conversa absolutamente informal, fez uma referência jocosa aos dias que passou na cadeia, pondo ênfase na falta de sexo e diminuindo, assim, a dramaticidade que a situação, de fato, teve. Deve ter feito uma piadinha qualquer envolvendo seus companheiros de cela – uma blague para consumo local, durante um almoço com correligionários, só isso.

Está claríssimo para qualquer um de nós, para a Folha de São Paulo, para a revista Veja e para todos os seus trombeteiros que o presidente jamais pensou em estuprar meninos. Está mais claro ainda que o artigo desse senhor distorce completamente a situação, narrando a conversa como se Lula tivesse realmente confessado em público uma tentativa de estupro. Mais ainda, dramatiza a situação, narrando como ele próprio fora entregue a presos comuns pelos agentes da ditadura, e como esses presos tiveram para com ele uma atitude presumivelmente muito mais digna que a do presidente, que só não teria consumado o ato devido aos repelões da vítima. Ou seja, transforma uma piadinha de final de almoço numa confissão solene da própria torpeza.

Até aí, como eu já disse, está tudo absolutamente claro. O que não está tão transparente assim é o esquema que cercou a produção e publicação dessa bosta jornalística. Pode ter sido uma conjunção casual da semidemência do autor com o estilo “Hora do Povo” do jornalão. Uma nefasta coincidência, enfim. Mas pode ser também mais grave, Pode ter sido uma encomenda de jornalistas mafiosos feita a um fracassado em luta permanente com seus extratos bancários em benefício da campanha de José Serra à presidência. Por que não? Um jornal que publica esse tipo de material não pode esperar de seus leitores uma análise meramente textual. Questões contábeis e estratégicas são perfeitamente cabíveis, nesse caso.

Diante de um artigo tão obviamente mentiroso, e do tipo de transfiguração que uma página de jornal é capaz de operar numa mentira, o mais recomendável seria que os responsáveis pela Folha tivessem simplesmente se recusado a publicar a matéria naqueles termos. Ou você tem evidências definitivas para acusar um Presidente da República de tentativa de estupro, ou simplesmente não deve falar nada. Se tem evidências definitivas de que essa tentativa de estupro não aconteceu (como a Folha, a revista Veja, seus trombeteiros e todos nós certamente temos), só publica uma matéria como essa desse modo, sem anexar um único comentário ao texto, se estiver mal intencionado.

Fonte: Luis Nassif Online

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