>Direto do Rio Grande do Sul – Diário Gauche

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Lamento informar: o governo Yeda ainda não é o nosso fundo-do-poço

por Cristóvão Feil

Foto-mosaico do filme Mad Max 2 (1981).

PL 154 representa o quanto ainda podemos regredir no RS

Uma gracinha o editorial de Zero Hora, hoje. Parte dele, está aqui:

“Avanços ambientais dependem antes de mais nada de decisões de âmbito individual que, ao se somarem umas às outras, possam contribuir de alguma forma para um desenvolvimento capaz de conciliar progresso com preservação. É óbvio, porém, que os governantes têm um papel importante nesse aspecto e precisam se preocupar em definir políticas factíveis para esta área, que permitam crescimento seguro sem impor prejuízos irreversíveis para as futuras gerações”.

ZH sugere – não afirma de forma categórica, porque pode pegar mal com os leitores-consumidores -, apenas sugere, que não precisa legislação ambiental, já que “avanços ambientais dependem antes de mais nada de decisões de âmbito individual”.

Ora, sendo assim, também não precisa de legislação contra o trabalho escravo, os avanços nessa área dependem igualmente “antes de mais nada de decisões de âmbito individual”. Sendo assim, não precisa de legislação que proíba e puna o ato de matar para roubar, os avanços nessa área dependem igualmente “antes de mais nada de decisões de âmbito individual”. Estado? Para quê Estado? Cada pessoa de forma ordeira e civilizada, no âmbito de sua própria consciência individual, irá procurar construir o bem comum, respeitar os direitos do próximo e calcular o cumprimento estrito dos seus deveres.

O espírito de Polyanna moça de ZH é comovente. Mas enquanto ocupa suas páginas com essa conversa fiadíssima, não tem espaço para estampar o verdadeiro objeto de seu interesse na esfera ambiental e suas legislações pertinentes. Hoje, curiosamente, ao lado deste editorial rolando-leroso, há um pequeno artigo do deputado Luiz Carlos Heinze (PP) onde estão alinhados todos os motivos para a completa erradicação de toda e qualquer legislação ambiental no estado e na União. Outra peça que comove e aperta o coração da gente. Fica-se sabendo que o agronegócio será confiscado em 30% das suas terras e que logo logo não haverá mais comida na mesa dos brasileiros, que os “rurícolas” (como eles se denominam, aliás, o que será isso?) caminham a passos largos para a mais profunda miséria e desintegração moral. Só faltou o deputado Heinze informar o número bancário de uma conta-solidariedade para que a população passe a fazer donativos espontâneos a esses futuros párias brasileiros com o objetivo humanitário de minorar-lhes o infortúnio e a exclusão social.

Brincadeiras à parte, o que de fato paira qual entidade fantasmática sobre esses discursos pela metade? O que querem expressar estes gestos confusos, esse claro-escuro entre a verdade e a negaça?

O que eles querem, seja ZH, seja esse deputado da direita, está grafado no Projeto de Lei 154/2009. O famigerado PL 154 foi gestado no ventre do atraso sulino e tem a paternidade da Farsul, do governo Yeda, seus aliados e apoiadores na Assembléia Legislativa, além, claro, das papeleiras, da mídia sulina e os predadores ambientais do estado.

Assim, o Rio Grande do Sul mostra que caminha na contramão da tendência mundial, enquanto os governos de todas os matizes ideológicos se preparam para se autoimpor novos limites ao desenvolvimento e à sustentabilidade, o nosso estado anuncia um aniquilamento geral e irrestrito na legislação ambiental, sendo que grande parte dela nem regulamentada está.

Então vocês achavam mesmo que o governo Yeda representa o ponto mais rebaixado a que pode chegar o Rio Grande do Sul? Ledo-ivo-engano!

É que vocês ainda não conhecem o que promete o PL 154. É o inverso da revolução castilhista, a hegemonia definitiva dos maragatos (agora quebrados e gangsterisados), quando o Rio Grande se transformar numa imensa (e deserta) Bagé – uma espécie de Mad-Max-guasca-apocalíptico.

Coisas da vida.

Fonte: Diário Gauche

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