>::

A mentalidade “universitária” da Uniban

por Cristóvão Feil


Os “fascismozinhos ordinários” das novíssimas Universidades particulares brasileiras

Já foi dito quase tudo para condenar o comportamento selvagem de rapazinhos misóginos (que têm aversão às mulheres) na tal Universidade Bandeirantes de São Paulo, Uniban.

Faltou dizer, entretanto, que o dono da arapuca caça-níquel e antro do obscurantismo brasuca chama-se Heitor Pinto e Silva Filho. Este comerciante do ensino privado já presidiu a Associação Nacional das Universidades Particulares, hoje, Pinto e Silva é tesoureiro da entidade patronal. Segundo a Folha, o comerciante de diplomas do terceiro grau já tentou ingressar na política partidária. Em 2002, Pinto e Silva foi vice na chapa de Paulo Salim Maluf (PP) ao governo paulista. À época, Pinto e Silva declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de 34 milhões de reais.

O caso dos rapazes misóginos deve ser visto num contexto bem mais amplo do que o episódio micro que o gerou. No Brasil, anos atrás houve a proliferação horizontal de cursos de terceiro grau, com estatuto de Universidade. Tais cursos são viveiros reprodutivos de uma mentalidade fetichizada e repugnante. O resultado é esse que se viu em São Bernardo do Campo: jovens intolerantes num coro perigoso de reprimidos e estupradores em potencial.

Expressão nua e crua daquilo que Foucault chamava de “fascismozinho ordinário” – a prática miúda, quase invisível, de pequenas opressões cotidianas na esfera das relações interpessoais, no trabalho, na escola, no tratamento dos idosos, dos humildes, dos incapacitados, dos dependentes, dos frágeis, dos inocentes, das mulheres anônimas, dos pequenos animais, etc.

Que valores está passando aos seus alunos uma Universidade dessas? Nenhum, ela apenas reproduz a mentalidade que preside a sua razão de ser: trocar dinheiro por um título universitário como representação falsificada de um conhecimento que ninguém tem, nem o formando, nem a própria “Universidade”.

Para além de condenar o fato em si ocorrido na Uniban do ABC paulista, é preciso que as autoridades federais responsáveis pelo ensino no Brasil revejam esse fenômeno das Universidades particulares no País. O contencioso criminoso, a crônica de selvageria, a fraude e a reprodução seriada da ignorância é uma constante nesses cursos caça-níqueis pelo Brasil afora. No RS, ontem, foi a Ulbra, hoje, por outro motivo, é a Uniban, amanhã, por um terceiro motivo, novos episódios virão adornar a emergente e preocupante questão das novíssimas Universidades particulares brasileiras – uma estufa de sociopatas e degenerados antissociais, ovo de serpente de uma sociedade obscurantista que já foi derrotada por ocasião da Segunda Guerra.

**Foto do G1/Thiago Reis: alunos da Uniban fazem protesto contra a colega vitimada pela turba ignara, eles alegam que o episódio do minivestido pode desqualificar o diploma e prejudicá-los na carreira futura. Só pensam no próprio umbigo.

Fonte: Diário Gauche

::

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s