>The Guardian começou a contratar blogueiros para enfrentar a crise estrutural da imprensa

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Mais um duro golpe na velha midiocracia de papel

Deu no site Digestivo Cultural:

E mais um capítulo da guerra sem fim entre jornalistas e blogueiros teve lugar nas últimas semanas, com o anúncio do Guardian, um dos maiores jornais do Reino Unido (e um dos maiores na internet em língua inglesa), contratando blogueiros para produzir notícias locais a partir de algumas capitais do mundo, não exigindo mais formação, ou mesmo experiência, em jornalismo.

Que a internet já vinha dando sucessivos golpes na prática do jornalismo tradicional, ninguém hoje duvida, mas que uma empresa de mídia, com sua fundação ligada a um grande jornal, reforçasse a supremacia dos blogueiros – no métier jornalístico –, ninguém imaginaria. Independente da discussão mesquinha, invariavelmente levada para o lado pessoal, o anúncio é, mesmo que simbolicamente, também um golpe sobre a afirmação de que apenas jornalistas, de papel, sabem fazer “cobertura local” – algo que, até há pouco, era, inclusive, uma justificativa para a manutenção do status quo de redações onde, como notoriamente se sabe, a maioria sequer pisa na rua, passando longas horas na frente do computador, quando não “reprocessando” press releases (para imprimi-los no dia seguinte).

E a iniciativa do Guardian vem a calhar, no Brasil, quando a poeira do fim da exigência de diploma, para a prática de jornalismo, ainda não assentou, com protestos de burocratas da profissão, que fingem não enxergar que podem estar sendo, neste momento, ultrapassados por alguém com um computador e uma conexão à internet…

O Guardian vai pagar os blogueiros e uma suspeita de que estaria preparando um portal com notícias locais de grandes cidades, subitamente, está à beira da confirmação. Numa demonstração de sabedoria, a nova empresa de mídia (o “ex-jornal”) deixou de competir com os impressos e se preocupa, atualmente, em garantir uma supremacia na internet (que, há anos, é mais importante que as bancas de jornal).

No Brasil, contudo, ainda se lançam novos jornais de papel, e se oferecem velhos jornais a preços à la carte (quando os internautas não os querem nem de graça…). Quem sabe, o Guardian ensine aos nossos jornalistas que, no lugar de ficar implicando com a blogosfera (e as mídias sociais), eles deveriam se aliar aos blogueiros, enquanto ainda é tempo…

…………………….

O Guardian não é qualquer ZH que foi fundado ontem. O velho diário da Kings Place londrina começou a circular em 5 de maio de 1821. Um velho-jovem jornal capaz de entender que os tempos estão bicudos para a midiocracia de papel e que é preciso fazer alguma coisa. Que tal então se aliar a quem está me ameaçando? É o que está fazendo o Guardian, num agudo senso de hiperrealismo na veia. Em janeiro deste ano de 2009, o jornal estava vendendo cerca de 358 mil exemplares diários, cerca de 5% inferior ao mesmo período de 2008, portanto, dentro da tendência mundial dos diários. A presente decisão gerencial – drástica, porque imponderável – tem a preocupação em se antecipar aos fatos e moldar uma realidade menos adversa nestes tempos de incertezas e más notícias para a imprensa tradicional.

Procurando informações na Wikipedia sobre o The Guardian, para escrever esse post, se nota que o verbete do jornal londrino é bastante completo. “Os editoriais do Guardian geralmente ficam à esquerda do espectro político” – diz a Wiki. Talvez seja um exagero para um jornal liberal clássico, hoje, situado no centro do leque ideológico. Mas comparando com a imprensa brasileira, o Guardian está na extrema esquerda, trata-se de um ultra.

Interessante é que a Wiki descreve como foi a linha editorial do Guardian em situações e episódios cruciais, como na Guerra Civil Espanhola (apoiou os republicanos contra o fascismo franquista), na Segunda Guerra, nas guerras do Iraque e Afeganistão (posição anti-guerra e de não-intervenção imperialista), e outros. Comumente o Guardian é acusado pelos sionistas de ter adotado uma posição anti-Israel, o que não deixa de ser algo estimulante, já que a imprensa mundial é quase unânime em apoiar as políticas genocidas e racistas dos governantes israelenses na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Seria bom que as pessoas, especialmente os internautas mais safos, fizessem o mesmo na Wiki em português, relativamente aos diários brasileiros e sua classificação conforme linha editorial em fatos relevantes da história nacional e internacional. Certamente, um fato histórico teria identidade editorial em todos os jornais brasileiros: apoio unânime ao golpe civil-militar de 1964-1985. Outra unanimidade: filiação tácita ao PIG.

Fonte: Diário Gauche

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