>Serra entre o príncipe e a caveira

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Serra entre o príncipe e a caveira

por Renato Rovai

O governador José Serra, que tem um assessor sempre atento para lhe borrifar álcool gel nas mãos após sessões de saudações a eleitores, vive dias hamletianos. Não sabe o que fazer com sua iminente derrota se candidato for à sucessão presidencial.

Hamlet é uma das clássicas obras uma obra de Shakespeare. O personagem principal é o príncipe da Dinamarca, que empresta o nome à obra. Num dado momento, segurando uma caveira, se pergunta: “to be or not to be, that´s the question”. A pergunta que Serra deve estar se fazendo é se ele é o príncipe ou a caveira.

Claro que ele não tem dúvida que é príncipe ou algo mais relevante, acontece que os súditos do reino da Dinamarca, conhecido por essas bandas pelo nome vulgar de Brasil, não são todos paulistas. E não são todos da classe média preconceituosa. Se assim fossem, Serra seria rei, não príncipe.

É difícil para o nobre governador escapar da disputa contra a candidata do governo. Até porque há muita gente a lhe cobrar esse gesto de coragem. Mas ao mesmo ele teme em gritar truco sabendo que a adversária tem um zap, aquela carta que não é derrotada nem pelo mais alto brado nem pela pior cara feia – algo que ele tem de sobra.

Lula é o zap da vez. Este blogueiro desconhece na história política recente um governante que não tenha se reelegido ou feito sucessor com 80% de aprovação.

Ao mesmo tempo Serra sabe que se não for candidato se tornará um espectro a governar São Paulo, já que mesmo se Aécio vier a ser derrotado por Dilma, a tendência é que consolide nacionalmente seu nome e passe a ser a opção do PSDB para faturas futuras.

É de lascar o drama hamletiano de Serra. Ele que se acha príncipe, começa a perceber que está se tornando uma caveira política. Até porque se vier a optar pela candidatura a governador, passará a ser tido pelos súditos como um borra-botas, alguém que não tem coragem de enfrentar desafios mais duros. Isso também pode lhe ser fatal.

Se vier a desistir da disputa nacional, a disputa paulista poderá não lhe ser tão fácil. Nem o paulista conversador vai gostar de ter um borra-botas à frente do seu glorioso estado. É também por essas e não só pelas outras, que nosso governador tem se dedicado a questão do príncipe da Dinamarca.

Não deve ser fácil para um tucano ter de decidir algo desta monta. E até por isso ele tem se dedicado a cada a adiar mais um dia e outro dia a decisão. Boa sorte, governador. Aliás, governador príncipe ou governador caveira?

PS: Hoje nosso governador também deve estar se perguntando: será que o Aécio deu um tapa na sua namorada? Ao mesmo tempo Alckmin e Roseana já devem ter ligado para o mineiro, relembrando os casos da Lunus e da Opus Dei.

Quero registrar que não duvido da veracidade da história. Primeiro, porque acho Juca Kfouri um jornalista sério. Segundo, porque já ouvi outras histórias com viés semelhante associando Aécio a desvios de cunho comportamentais. Mas ao mesmo tempo acho estranho que isso venha à tona nesta altura do campeonato.

Fonte: Blog do Rovai – Revista Fórum

EvolucaoSerra por Conversa Afiada.

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